sexta-feira, 15 de junho de 2007

Não Posso Mais

Não posso mais rever os jardins por onde passamos,
sentir o perfume das manhãs de primavera,
enrubescer ao sol, lado a lado com as rosas púrpuras...

Não posso mais ver os nossos retratos,
lembrar dos bons tratos, da dança compassada,
da música ao longe, de embalarmo-nos na rede

Ouvindo ao longe os insetos da noite:
o cricrilar dos grilos,as rãs coaxando,
os pirilampos cortando a grama trevosa como açoite...

Se não recortar do pensamento esta chamada,
não verei novas alvoradas, não amarei de novo
e de forma sã...Não posso mais...

O coração partido precisa ser colado,
suas partes juntado, para dar-me nova vida,
novas esperanças, curando-me desta febre terçã...

Neste afã de libertar-me do passado,
guardá-lo-ei num cantinho do coração, bem amado;
e partirei para novas aventuras, um amor mais controlado!

Isto, se existir amor organizado!

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