sábado, 16 de junho de 2007

À face que me esquece

Desacelera coração, os mortos não voltam atrás!
Ressuscitam os sós, vivos em noites de vigília,
vozes agudas afrontam o cego da forquilha,
e gemendo ante a janela está à loucura tão mordaz.


A sombra me persegue, besta mente que definha
em um remoinho de pensamentos, quão desgarrada,
rumando pelos escombros, atropelo as pegadas
daquele rastro encontrando a sombra que é só minha.


Acorda a madrugada! Trafegam os seres bruscos
noutro pesadelo cinzento e no sotaque alto e frio,
brindo o rosto dormente com lágrimas que ninguém viu
lavando esta pedra lívida onde encaro o meu busto.


Amanhece o peito contrito; a cor da noite desce
na mancha escura do olhar entristecido, ora seco,
tal qual uma garganta atroz, alastrim pedindo ao eco
que afaste-me de mim, ó espelho; à face que me esquece!

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