quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Eu gostaria de saber...

Eu gostaria de saber...
Por que o duvidoso nos atrai muito mais que o certo?
O que nos leva a ignorar conceitos e valores
em benefício da incoerência plena,
em alguns momentos da vida?

Que razão dos diabos é essa
que nos faz negar uma evidência,
que antes apontávamos com tanta veemência,
sem nenhum motivo palpável para isso?

Por que é tão difícil dizer... "não"?
E apelamos para os desvelos do coração,
desprezando, se nos convém, a grandiosidade da razão?

Mas o que seria do coração... sem a razão?
E vice-versa...

Por que a verdade só é verdade, se for nossa?
Por que é tão difícil admitir que estamos errados?

Nossas verdades são só palpites...
às vezes, infelizes...

E seguimos em frente, cavando sofrimentos,
embandeirando nossas dores e horrores,
esperando que o mundo, condoído, se renove,
para se enquadrar em nós...
Se todos nós sabemos
que o certo seria nos enquadrarmos nele...
Por que?

Por que nos empenhamos em remover montanhas,
se é muito mais fácil contorná-las?

Por que inventamos tanta tecnologia avançada,
e acreditamos poder dominar o mundo com elas,
enquanto negamos displicentes, o poder que tem
a nossa própria mente?

Por que tememos os animais selvagens,
se os seres humanos, com a maldade, a falsidade
e outras imperfeições morais,
têm sido infinitamente mais nocivos e perigosos?

Por que nos autodenominamos inteligentes,
e no entanto, nunca encontramos resposta
para uma criança que nos olha estupefata e pergunta:
- Por que você está chorando?

Por que?

Eu gostaria de saber, e no entanto...

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