quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Espanto!

As luzes que recaem sobre o meu canto

esfacelam-se em miúdos pontos difusos,

que pipocam, em alternância, no manto

que recobre meu corpo curvo e obtuso.

Os pontos vêm de brilhos e são opacos.

Suas formas estranhas são pontiagudas.

Estabelece-se a estranheza! E os cacos,

inda que sombras, me ferem em miúdas

feridas inexistentes, escaras doloridas

que me entontecem e deixam confusa.

Estranho bordado! Figuras, as tecidas

aleatoriamente em mim... E, qual musa

de longínquas estrelas, eu me encaro

múltipla agora, espelhada em cada ponto,

envolta na estranha manta de tons claros.

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