segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PARTISTE INFÂNCIA

Nasce mais uma manhã esplendorosa,
onde tudo é possível, até o irrealizável.
Em suas águas claras, plenas de cores,
sobe a manhã, gradualmente, pelo rio.



Em suas margens, parece descansar e
aguardar, a transmutação da sombra,
que, persiste, em se esconder do sol,
reclamando sua grandeza e soberania.



A quem repara nas plantas, orvalhadas
pelo róscido matinal, e se debruçar um
pouco para ver, logo estas readquirem
toda a textura normal, suas multicores.



E, ao fundo, sem que perceba, o como
nem o porquê, um belo roseiral, fez aí
sua casa, e, não resistindo colho rosas
com agrado, tua figura como pretexto.



Gosto de vaguear assim, e, deixar-me
absorver, pela natureza, circundante.
Deitar-me junto a uma árvore e fechar
os olhos sem pensar em nada de nada.



Que bom é pensar em nada e do nada,
apenas o que nos rodeia, que é tudo.
Nascidos para interagir, com o mundo,
sermos a natureza, em toda sua força.



E, cai uma chuva agradável, molhando
tudo à sua volta sem ter complacência.
Saio debaixo de minha árvore e sinto,
que devo comemorar, imensa dádiva.



Sinto ser altura de regressar a meu lar,
e, olhando uma última vez, para toda
esta beleza, sinto-me como a um traidor,
que abandona tudo, só pelo conforto.



Oh, doce e corajosa, infância, partiste!
levando contigo minha recessa infância.
Hoje sou apenas mais um, entre tantos,
que, se distanciou, de sua subtil génese.

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