Olho pela janela do meu quarto,
O dia acabou de nascer,
E o silencio ainda está por toda parte,
Só rompido pelo canto da chuva,
Chuva que molha as ruas,
Levando embora as tristezas da noite,
Chuva que lava minha alma,
Acordando a minha criança,
Libertando minhas correntes,
Soltando minhas amarras,
Esquecendo meus medos,
Saio descalça pelas calçadas molhadas,
E piso nas poças formadas pelas águas,
Elas parecem figuras criadas pela minha imaginação,
Permito que os pingos cristalinos molhem meus cabelos,
Eles descem pelo meu rosto me fazendo sorrir,
A chuva molha meu corpo e parece me abraçar,
Tenho vontade de cantar, dançar e brincar,
Nesse momento posso conquistar o mundo,
Olho entre as flores do jardim e vejo você,
Sempre de longe a me observar,
Você sorri e vem logo me abraçar,
Ao me envolver em seu abraço começamos a dançar,
Corremos entre as arvores e brincamos de esconde-esconde,
Os passarinhos começam a cantar para da brincadeira participar,
Parecemos duas crianças sem juízo e destino,
Cansados deitamos na grama molhada e perfumada,
E vemos os primeiros raios de sol aparecerem entre as nuvens,
Nossos corações estão leves e livres,
Corremos em volta das barraquinhas que começam a chegar,
Tem pipoca, algodão doce, pão de queijo e café quente,
E até mesmo um balão em forma de coração,
Mas o toque do telefone me chama de volta a realidade,
Abro os olhos e vejo apenas a janela molhada do meu quarto,
Foi apenas o doce sonho de viver como criança novamente...
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