terça-feira, 14 de outubro de 2008

SER CRIANÇA

Olho pela janela do meu quarto,

O dia acabou de nascer,

E o silencio ainda está por toda parte,

Só rompido pelo canto da chuva,

Chuva que molha as ruas,

Levando embora as tristezas da noite,

Chuva que lava minha alma,

Acordando a minha criança,

Libertando minhas correntes,

Soltando minhas amarras,

Esquecendo meus medos,

Saio descalça pelas calçadas molhadas,

E piso nas poças formadas pelas águas,

Elas parecem figuras criadas pela minha imaginação,

Permito que os pingos cristalinos molhem meus cabelos,

Eles descem pelo meu rosto me fazendo sorrir,

A chuva molha meu corpo e parece me abraçar,

Tenho vontade de cantar, dançar e brincar,

Nesse momento posso conquistar o mundo,

Olho entre as flores do jardim e vejo você,

Sempre de longe a me observar,

Você sorri e vem logo me abraçar,

Ao me envolver em seu abraço começamos a dançar,

Corremos entre as arvores e brincamos de esconde-esconde,

Os passarinhos começam a cantar para da brincadeira participar,

Parecemos duas crianças sem juízo e destino,

Cansados deitamos na grama molhada e perfumada,

E vemos os primeiros raios de sol aparecerem entre as nuvens,

Nossos corações estão leves e livres,

Corremos em volta das barraquinhas que começam a chegar,

Tem pipoca, algodão doce, pão de queijo e café quente,

E até mesmo um balão em forma de coração,

Mas o toque do telefone me chama de volta a realidade,

Abro os olhos e vejo apenas a janela molhada do meu quarto,

Foi apenas o doce sonho de viver como criança novamente...

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