Quando criança, lá no interior,
Eu me sentia a própria natureza,
Entrava naquelas matas selvagens,
Lá, arranhavam-me os espinhos...
Mas era acariciado pelas flores.
Sentava-me à beira da fonte,
Contemplava o voar das borboletas,
E a serenidade das joaninhas tristes.
Observava o saltitar dos bem-te-vis,
E o arrulhar das pombas nos ninhos...
Via aquele mundo alegre e colorido
Aquela perfeita simetria da natureza,
Nesse cenário tudo era muito bonito
Traduzia a dimensão da grandeza
Da obra do seu Criador!
Mergulhava, às vezes, em reflexão,
Via toda aquela emorme beleza,
Doía dentro do meu coração
Ver a natureza maltratada,
Confesso... Sentia medo!
Hoje, é grande a minha saudade,
Sinto falta das minhas estrepolias,
Das traquinagens que eu fazia,
Tamanha a minha liberdade
Quando ia tomar banho de rio,
Pulava do alto das ribanceiras,
Descia, deslizando nas corredeiras,
Dava as cambalhotas que queria,
Numa brincadeira sem fim...
Agora, da pureza do meu sertão...
Restou-me apenas a lembrança
Dos meus tempos de criança,
Que nunca mais voltarão...
Mas... era maravilhoso, sim,
viver num mundo sem ilusão
Poder ter uma vida assim,
Com minha alma feliz
E paz no meu coração...
Hoje, tudo é diferente,
Não se sente mais emoção...
A tecnologia trouxe o aparato,
Não sinto mais o cheiro do mato,
Que tanto bem me fazia...
Não se contempla mais o céu,
Como se fazia naquele tempo,
Sinto um aperto no coração,
Quando me lembro do luar,
Iluminando o sertão...
Não obstante tudo isso,
Tenho como compensação,
O prêmio de ter quem me ame,
A minha fonte de inspiração...
Considero-me, assim, muito feliz
Por ter esse amor no coração.
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