sábado, 18 de outubro de 2008

Dói

Dói!
Ai, como dói a partida.
Dói demais ter de afastar-me,
quando mais perto ficar eu queria.
Não houve opções;
é preciso a despedida.
Dói!
Dói ter de as lembranças
levar na bagagem;
dói segurar no peito
os fantasmas do medo.
Todas as noites,
atormentando
os pensamentos.
Dói ter de seguir viagem.
Dói ter de ver a terra
sumindo dos pés,
Ter de deixar rastos
de uma vida inteira.
Dói a incerteza,
a insegurança,
não importa a dimensão
dos sentimentos.
Foi um amontoado!
O coração, a vida,
as portas fechadas
que me mantinham trancada.
As abdicações que
me podaram!
Dói!
Mas não posso ficar...
Não quero reprises da vida.
Quero sim, a continuação.
Recarregar energias,
criar, inventar, amar...
Principalmente amar.
Seja aqui, ou em qualquer lugar.
Com pele, ou pensamento,
apenas amar.
Estamos com medo,
foi tudo tão de repente,
tudo tão encantado...
Que temos medo, até mesmo,
de um primeiro contato.
Medo de explodir?
De abolir todas as restrições?
Medo de andar a frente da hora?
Dói!
Dói essa partida, mas enfim,
não há alternativa.
Eu quero a vida, eu te quero,
sem medos e incertezas.
Me resta dizer apenas...
Eu te espero.
Dói,
mas eu preciso.
Não é o fim;
quem sabe, o recomeço
de nossa vida,
nova vida.
Dói essa minha despedida.

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