Deitarei o sal que em mim existe
feito a lágrima que cai desse olhar,
e se for a dor que pranteia o pensar,
beberei a gota única que me assiste.
Entoarei a cada dia todas as sinas
que envergam os joelhos ao chão,
serei a voz que apunhala a ilusão
e não a lesão que ceifa a vindima.
Dos mistérios cruéis, a abjuração,
e da ferida que sangra, o absinto.
No vazio da solidão, serei recinto,
e no abismo escuro, darei a mão.
Da luz que invade e jaz incolor,
à candeia enganosa da aceitação,
se não houver sim, perdoa o não,
porque dos espinhos, serei o amor.
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