sexta-feira, 3 de outubro de 2008

QUANDO UMA VOZ SE CALA

Quando um poeta se cala,

flores murcham nos jardins,

galhos secos, retorcidos,

não mais voa o colibri,

seu ninho abandonado

já não se presta mais a nada.



Quando um poeta se cala,

amanhece e o sol desanimado

da vez a nuvens escuras,

tormentas no horizonte,

sinal de derrota, loucura,

mordaças permitidas, clausura.



Quando um poeta se cala,

anoitece e a lua surge nublada,

sombria, medrosa, acovardada;

as noites ficam estranhas,

janelas e portas trancadas...

Teias intrincadas tecidas por uma aranha.



Quando um poeta se cala,

livros são queimados nas praças,

pensamentos censurados antes que nasçam,

vira verdade o que antes era mentira,

e transformam em mentira

duras e amargas verdades.



Quando um poeta se cala,

louco tiranos brindam ao desespero,

taças cheias do vinho da insensatez,

e a guerra santa será o único caminho,

infiéis, passaremos pelo fio da espada,

e o poeta que se fez calado não dirá NÃO!?

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