Quando um poeta se cala,
flores murcham nos jardins,
galhos secos, retorcidos,
não mais voa o colibri,
seu ninho abandonado
já não se presta mais a nada.
Quando um poeta se cala,
amanhece e o sol desanimado
da vez a nuvens escuras,
tormentas no horizonte,
sinal de derrota, loucura,
mordaças permitidas, clausura.
Quando um poeta se cala,
anoitece e a lua surge nublada,
sombria, medrosa, acovardada;
as noites ficam estranhas,
janelas e portas trancadas...
Teias intrincadas tecidas por uma aranha.
Quando um poeta se cala,
livros são queimados nas praças,
pensamentos censurados antes que nasçam,
vira verdade o que antes era mentira,
e transformam em mentira
duras e amargas verdades.
Quando um poeta se cala,
louco tiranos brindam ao desespero,
taças cheias do vinho da insensatez,
e a guerra santa será o único caminho,
infiéis, passaremos pelo fio da espada,
e o poeta que se fez calado não dirá NÃO!?
Sem comentários:
Enviar um comentário