terça-feira, 14 de outubro de 2008

Meu tempo

Não senti o tempo passar,
meu coração é o mesmo,
pendurado, pouco balança,
até quando tem calor no peito.


O tempo não nos aproxima,
cada vez mais nos reduz,
a um só verso, uma só rima,
de mãos e olhos, na luz.


Aproximo da velha idade,
os dias parecem longos,
as noites frias e sem sentido,
na pouca luz, as mãos procuram.


Posso assumir que envelheci,
não economizei forças,
vesti todo corpo que me foi dado,
todos os amores que chegaram.


Hoje sou o tempo dela, a amada,
passa dia, passa noite,
não passa o amor que vem
e nem o carinho que fica maior.


Existe verdade nas inverdades,
o tempo é mentira que engana,
como nasci ainda sou agora,
até o final deste meu tempo.

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