Perfile seus magoados,
a parte podre
do seu desencanto,
ruína de todos os tempos,
salgue mares,
chorando ondas de dor.
Impura,
ex-deusa,
mãos atadas pelo pecado,
velada,
ex-luz!
Hoje clama solidão,
roga o reinado perdido,
ante a dor é covarde,
vestida em larvas,
vangloria passados.
Beba da sua melancolia,
alimente-se de seu nojo,
embriague-se nas suas futilidades,
enjoe,
do mesmo jeito
que entediou do amor.
Impura deusa sem luz,
caia de joelhos e implore,
não peça carinhos,
apenas alívio,
da dor,
das dores,
dos amores.
Vista seu luto rejeitado,
devolva os carinhos,
meu tempo perdido,
não seus falsos dias,
os verdadeiros que dei.
Dou de volta tudo que ficou,
os abraços vazios de calor,
as noites de frio no seu corpo,
a inércia de te amar.
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