sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ESPELHO, ESPELHO MEU

Ele fica lá no quarto,

calado, inerte,

como um fantasma...

esperando a presa,

indefesa e pasma.

Passo prá lá e prá cá,

sem querer nem o olhar,

consciênte de seu propósito,

e sem o gostinho lhe dar.

Ele não é meu amigo...

As vezes, até útil comigo...

Mas, sempre a querer me mostrar

aquilo que reluto em olhar

e aceito, sem a ele chegar.

O meu tempo está naquele trambolho,

convencido da verdade me mostrar,

de tudo poder,

de não mentir prá agradar

e do perdido não trazer.

Só me vê por fora,

aquele bandido...

Com uma pedrinha inocente,

bem pichotinha,

eu o destruiria,

espelho maldito,

e ficaria somente

com meu eu bonito.

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