sexta-feira, 10 de abril de 2009

Nosso equinócio

Nada era lua, nada era sol,
apenas corpos e vidas,
um perfume de cio,
um sem sono nos olhos.

Semente homem,
fruto quente... mulher,
via mundo a natureza,
para o gozo sem vergonha.

Luz ausente dos olhos,
estamos dentro do outro,
sigo suas trilhas úmidas,
até que queimo pele por dentro.

Falta -nos o ar, forças,
relâmpagos vêm como ondas,
nos poros apontam suores ferventes,
êxtase, prazer puro e cego.

Sabores vão do corpo à alma,
todos os segundos param no meio,
alguns sonhos se realizam e adormecem,
imediatamente deslizo fora do sexo.

A luz rasga as sombras sobre a cama,
um contorno de imagens cegas,
muitas pernas, muitos braços,
inertes ficam, boca a boca.

O tempo pára no meio,
nada existe, nem luz, nem som...
enquanto houver vida,
o desejo ficará quando for embora.

Ainda sem sol, sem lua,
a cama virou moldura de corpos,
um desenho de cheiros e líquidos,
impregnados de paixão e silêncio.

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