“Contam que certa vez o Senhor, precisando confiar tarefa espiritual à criatura da Terra que fosse verdadeira sábia, se pôs a percorrer o mundo cercado por uma falange invisível de Anjos.
Primeiramente, penetrou nas grandes universidades onde senhores respeitáveis dissertavam sobre os mais profundos assuntos. Em seguida, buscou monges enclausurados que viviam a fazer preces. Não satisfeito, foi ao encontro dos artistas que se embriagavam no elixir estonteante de Beleza... Viu milhares e milhares de criaturas, ouviu atentamente seus mais ocultos pensamentos e saiu, ainda, em busca do ser mais sábio a quem pudesse confiar a missão de manter acesa a verdade no coração da Terra.
Sentado à beira do caminho, o divino Senhor quedou-se meditativo. Os Anjos perguntaram se ele achara a criatura sábia. O Senhor, elevando seus olhos a uma figuinha que, lá distante apontava o caminho, falou:
-É aquele que vem lá...
Os Anjos, embora seres divinos, não puderam divisar quem seria aquele que seria a mais sábia das criaturas da Terra.
Lentamente a figurinha veio se aproximando, até que inteiramente visível foi contemplada por todos os Anjos. Então eles perguntaram:
-Senhor, por que dizeis ser ele a mais sábia criatura da Terra?
-Porque meus olhos, repletos de Deus, descobriram. Se vós que sois Anjos ainda desconfiais, podeis imaginar como deve ser falho o julgamento dos seres humanos.
E, voltando-se para a humilde criaturinha de pés descalços e envolta em roupinhas em frangalhos, disse:
- Meu filho querido, tu és o mais sábio dentre todos os seres que encontrei na Terra. Muitos são lembrados e se julgam sábios; tu nunca foste lembrado e nunca julgaste sábio. Para mim, que vejo com os olhos divinos, tu és a mais fulgurante alma, porque tens na tua ignorância o que falta na sabedoria dos homens: HUMILDADE.”
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