Não é fácil... mas é preciso!
Continuar sorrindo, dia após dia, fingindo alegria.
Apalpar suavemente as cicatrizes, que já não sangram mais,
para dar o conforto que precisam, o afago...
Não é fácil... mas é necessário!
Fingir que os violinos tocam nas horas mortas,
ser o bobo da corte, sem corte, esperando a morte,
e fazendo rir, todos aqueles que querem chorar...
Às vezes parece impossível!...
O vento passa pela janela formando redes sem fim,
o coração quer sair, libertar-se, mergulhar no vazio...
Chama a alma, mas ela se enrijece e se nega a seguí-lo...
E nasce um novo dia... sempre tão velho!
As lembranças invadem a sala, como revoada de andorinhas...
São tão bonitas! Tão meninas!... mas depressa vão embora.
Fica só o silêncio, carrancudo e tenso, inerte num canto...
É assim, bem assim... quando alguém parte sem dizer adeus.
Por falta de tempo ou de senso... algum dia, em algum lugar,
será possível saber e quem sabe compreender...
Mas não é fácil essa compreensão! Não é fácil...
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