segunda-feira, 7 de abril de 2008

Meu retorno

Sob as luzes da cidade,
Não vejo os olhos da noite...
A noite é cega sem luar
E morta sem estrelas.
Luzes elétricas não falam
Ao nosso coração;
Não são coisas de poeta...
Volto à esta cidade,
Depois de muito tempo...
Devoro as ruas passo a passo,
Perdido num silêncio de saudade.
O que eu via, não vejo;
O que vejo, não me vê.
Sou um estranho no meu próprio berço.
Aquele edifício engoliu a casa em que nasci;
Aquela praça devorou
O meu campinho de futebol.
Como dói a ausência de algo que existiu;
Como é dolorida a presença,
Da ausência de quem amamos,
E que um dia deixamos.
Como é doído a gente ser poeta;
Como seria sem graça se não fôssemos.
Nessa calçada em que estou,
Os pés de alguém acompanharam os meus...
Paro, olho, suspiro
E tenho a impressão de ouvir
Aquelas promessas amorosas,
Que foram sufocadas pelo tempo
E mortas por algo que a gente pensava que fosse amor.

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