Não sei se é saudade, se é desilusão...
Mas bate descompassado o meu coração,
Quando os olhos pousam nessas avenidas:
- Ipiranga e São João!
A alma transborda de excitação!
A memória me empresta suas asas para eu voar.
Vou revendo vitrinas, galerias, hotéis,
Num tempo em que o terror não fazia chorar.
Ruas conturbadas, apinhadas de gente...
Brava gente, de perto, de longe... era tanta ilusão!
Todos trabalhando duramente, sem reclamação.
E os copos, na noite, brindando ao sucesso!
Tudo parecia tão fácil! Tão perto! E era!
Vivíamos em plena primavera!
Mas homens de preto que dominam o gueto,
pintaram o nosso verão com cores tão frias!...
E quando chegou, não havia sol, não prestou!
Como chuva de granizo, chegaram as leis,
Rasurando o horizonte de tantos de nós...
(Minha reverência aos amigos expulsos da vida... sós.)
Morreram os risos, morreu a alegria,
Morreu tudo aquilo que a gente queria!
Mas o que foi bom, não morre ou se apaga,
E muito tempo depois, a saudade ainda afaga...
Noites tantas, de tantas descobertas!
Com suas mágicas e encantadoras ofertas...
La Farina... Leão do Olido... depois um barzinho,
E o tic tac do salto no asfalto, parecia caminhar sozinho...
Avenida Ipiranga... Avenida São João...
Avenidas da saudade no meu coração!
Saudade da paz e da guerra, da garra de ser,
Da brava vontade de vir e vencer!
E a lembrança... para nunca esquecer!
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