sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Nua e Crua

Em desespero, encontro-me descoberta
sem o véu colorido da poesia... estou nua.
Assim como o céu em noite encoberta,
sem estrelas e sem lua.

Quero louvar corações enamorados,
mas só ouço gritos desesperados...
Anseio rimar os sons adocicados,
mas só ecoam ruídos desafinados.

Venha, poeta! Venha... me possua!
Amadureça essa idéia crua,
busque no infinito da substância,
uma luz à minha ignorância.

Como pássaro ferido no húmus da floresta,
esperando o ocaso que lhe resta,
assim estou a albergar o receio
de que o abutre me devore a poesia do seio.

Poeta, fique ao redor, à espreita!
Quando uma fresta se abrir,
deite na minha alma desfeita,
retome o véu e venha me cobrir

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