terça-feira, 3 de junho de 2008

Paisagem Introspectiva

Quando olho para dentro de mim,

vejo uma casa abandonada...

Vou percebendo o ambiente lúgubre,

depois de atravessar um longo e estreito caminho,

onde as amarguras brotaram,

quase vedando a passagem...

No alpendre, duas cadeiras vazias

de sonhos não realizados...

Farpas de lamento a soltar do chão

da alma, assim que a alcanço...

Um ranger seco quando tento

pôr sentimentos nos espaços empoeirados...

Teias de aranha balançando onde ficavam

expostos os momentos de aconchego...

No meu canto preferido, os desejos

já mofados se misturam ao emaranhado

de heras enraizadas nas vigas

que sustentavam minha estrutura,

tornando-as deterioradas e fracas...

Vou saindo de dentro de mim e,

quando ia apagar a luz

para não mais ali voltar,

dirijo o olhar para fora...

... percebo, então,

que havia deixado o portão aberto...

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