Quando olho para dentro de mim,
vejo uma casa abandonada...
Vou percebendo o ambiente lúgubre,
depois de atravessar um longo e estreito caminho,
onde as amarguras brotaram,
quase vedando a passagem...
No alpendre, duas cadeiras vazias
de sonhos não realizados...
Farpas de lamento a soltar do chão
da alma, assim que a alcanço...
Um ranger seco quando tento
pôr sentimentos nos espaços empoeirados...
Teias de aranha balançando onde ficavam
expostos os momentos de aconchego...
No meu canto preferido, os desejos
já mofados se misturam ao emaranhado
de heras enraizadas nas vigas
que sustentavam minha estrutura,
tornando-as deterioradas e fracas...
Vou saindo de dentro de mim e,
quando ia apagar a luz
para não mais ali voltar,
dirijo o olhar para fora...
... percebo, então,
que havia deixado o portão aberto...
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