segunda-feira, 23 de junho de 2008

COMENTANDO A DOR

Inadvertidamente, guardamos nossas dores a sete chaves. Dores acumuladas na trajetória da vida e bem guardadas. Nada como dores guardadas para estagnar uma vida e afastar o amor, a alegria de viver e a felicidade!

Afinal, o que é a dor? Há duas espécies de dor: a física e a moral. A dor física é a sensação incômoda e desagradável, causada por lesão ou anomalia de orgãos. A dor moral é um sofrimento espiritual, confunde-se com mágoa, aflição, remorso, culpa e outros sentimentos causadores de mal-estar.

A dor física impede-nos de realizar nossas atividades normais e, então, nos apressamos a eliminá-la para que voltemos ao desempenho habitual. Já a dor moral, embora nos cause incômodos muito maiores e mais profundos do que a dor física, é alimentada, cuidada, zelada, prolongada indefinidamente. Passamos a vida acumulando dores morais, sobrepondo dores sobre dores. E o que já não é bom de ser sentido uma única vez, passa a fazer parte do cotidiano, num sofrimento que se prolongará até o final da vida, sempre presente, embora, de fato, esteja bem plantado no passado. Muitas pessoas têm baús de dores mal resolvidas e não param para constatar os males que isto lhes causa.

A dor precisa ser resolvida, e bem resolvida, alí, onde e quando ela acontece. Precisa ser sentida até ser esgotada, esvaziada, até que dela não reste uma única seqüela, até que dela reste, apenas, o aprendizado positivo que nos fortalecerá e que será acrescentado ao rol das nossas experiências.

Uma única dor mal resolvida funciona como um imã, atraindo outras dores. Se não quisermos nos tornar pessoas amargas, solitárias, isoladas da alegria e da felicidade por uma parede invisível e refratária ao calor da vida, precisamos aprender a esvaziar as nossas dores.

Viver no passado rouba-nos a alegria do presente e as perspectivas do futuro. É preciso entendermos a nossa relação com o passado. Passado é passado, mas foi vivido. Foi vivido, mas é passado! As dores da alma são o resultado de situações, acontecimentos e decisões mal resolvidas em seu tempo, que são trazidos através do tempo, tornados presentes e projetados para o futuro. Se avaliarmos o mal que nos proporcionamos ao fazer do presente uma extensão dos sentimentos e emoções negativas do passado, certamente, seremos mais diligentes para resolver o nosso passado. E podemos fazer isto a qualquer tempo.

O que fazer, então? A resposta está em nós mesmos. Está em nossa mente. É o que se chama de "competência emocional". Observem-se. Voltem sua atenção para si mesmos. Observem sua respiração. Vocês respiram, sabem que respiram, e no entanto, tão acostumados com o funcionamento de seus pulmões, nem se dão conta de que respiram, a menos que lhes falte o fôlego. O mesmo acontece com suas mentes. Vocês pensam, sabem que pensam, mas tão acostumados com o funcionamento de seus cérebros, nem se dão conta de seus pensamentos. E é exatamente aí, em seus cérebros, que nascem todos os atos, fatos, comportamentos e sentimentos de suas vidas.

"O corpo vai para onde a cabeça manda", diz o provérbio. Nada tão verdadeiro como esta afirmação. Um exemplo: pensamos "estou triste". Imediatamente, sentimo-nos tristes e nosso comportamento é triste. Se retroalimentamos nosso pensamento, ficaremos cada vez mais tristes. No entanto, se, ao invés disto, decidirmos chegar aos motivos da nossa tristeza e cuidarmos de resolvê-la, cortaremos o canal de alimentação dessa emoção e encontraremos a resposta correta para serenar nossas emoções.

Ninguém veio aqui para satisfazer as nossas vontades. Seremos felizes se decidirmos ser felizes com tudo o que somos, fazemos e temos. Quando colocamos nossa felicidade e bem-estar num único objetivo ou os transferimos para outra pessoa, criamos expectativas que estão fora de nós e do nosso controle. Se as pessoas para quem transferimos o nosso poder corresponderem às nossas expectativas, ótimo. Estaremos felizes. E se não acontecer conforme o esperado? Se o outro não quiser fazer-nos felizes? O mundo desabará? Sim, desabará se continuarmos insistindo em deixar que os outros decidam a NOSSA PRÓPRIA vida. Somos os donos e senhores de NOSSAS vidas. Somos o resultado de NOSSAS escolhas. Pensemos nisto!

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