terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

QUANDO A PRIMAVERA CHEGAR

QUANDO a primavera chegar, eu olharei as rosas,
mas os meus olhos estarão obnubilados
/pelos grilhões do inverno passado.
Minha mente estará demasiadamente sombria
para receber a claridade do novo sol.
Minha alma estará triste e dolorida
/da última noite passada.

NÃO
me lembrarei que a nova estação em flores
estará nascendo.
Recordarei as noites de insônia,
os homens no cárcere padecendo.
QUANDO o dia voltar, eu direi dessas noites
de iniqüidades .
Falarei dos que sofreram o flagelo em celas,
dos que gemeram nus as noites frias
/nas celas-fortes;
do inverno queimando o corpo e a alma
/dos prisioneiros castigados;
da auto-mutilação; dos braços retalhados.
Falarei da demência de homens sobre homens;
da tortura abafada atrás das muralhas.
QUANDO a primavera chegar, eu
quero ter presente o inverno passado.
Não esquecer essas noites que haveremos de impedir;
do homem-besta sobre o homem.

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