domingo, 10 de fevereiro de 2008

APRISIONADA

Aprisionada em meu próprio corpo
Apenas sinto e penso
O outro não me entende.
E eu não posso dizer o que quero,
não posso falar,
Minha boca não me obedece
está imóvel
Emito grunhidos
Para os outros
Sem sentido.
E eu penso e sinto
Sinto e penso
E não expresso...
Esse direito eu perdi
Foi-me tirado por ELA
Sem meu consentimento.
A caneta não para na mão, não consigo apertá-la,
segurá-la com firmeza.
Minha letra, outrora tão linda
Agora garranchos indecifráveis,
Para os outros, incompreensíveis,
Rabiscos sem sentido.
Estou presa em mim mesma.
Fecho os olhos,
Para os outros, adormeço.
Não! Penso, penso, penso.
O pensamento circula em todo meu corpo,
ninguém ouve
Nem entende.
Sinto a prisão que me envolve
Como pude me transformar assim?
Tornando-me outra?
Pessoa?
Um verme?
Um nada?
Um parasita?
Você além de banhar-me, precisa até me coçar,
Dar comida na minha boca
Que se fecha apenas com um esparadrapo
Sem isso... Fica aberta
Resseca... Incomoda.
Você precisa me deitar, me sentar, me apoiar, me tocar,
Me limpar...
Eu não posso.
Eu apenas sinto e penso, penso e sinto
E, assim existo
E, ainda desejo
E, ainda quero,
Sonho e
Espero.
Você entende o desespero no meu olhar?
Eu sinto, penso, desejo, sonho.
Eu ainda quero!!!
Eu ainda existo e quero viver!
Ninguém quer me ouvir!
Digo: mas doutor
A minha dor!?
A minha dor é diferente do que você está falando!
Ouça como eu sinto a minha dor.
Esqueça os seus grandes mestres, os seus livros
E...
Apenas olhe para mim!
Eu melhor que ninguém
Sei explicar como é a minha dor
Peço apenas,
Ouça-me!
Desça do pedestal do conhecimento técnico,
Aproxime-se de mim e ouça-me!
Eu quero expressar minha dor!

Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me
Ouça-me

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