sábado, 5 de setembro de 2009

REVISITANDO MEUS VERSOS

Por mais desertos onde me perder,
por mais jardins que ostente,
até hoje não houve semente,
que fizesse jus a todo este meu saber.


Como se uma bela flor a encontrasse
de seu jeito envergonhada,
vendo a luz ser-lhe negada,
por não ter enfim quem nela reparasse.


Pois só a indiferença lhe traz o vil algoz.
Ser quem é em si é e satisfaz.
E nada há que seja aqui capaz
de a um sentimento seu torná-lo atroz.


Muitos desejam a esta flor irresistível,
não julgando sua fragilidade.
Mais lhes importa a vaidade,
a cumprir agora e já com o exequível.


Na solidão extra de minha extensa vida,
mergulhado em meu pensar,
imenso de dor e tenso penar
são meus dias por esta gente mal vivida.

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