domingo, 11 de março de 2007

Salvem a minha vizinha

Eu ando preocupadacom uma antiga vizinha
ela é minha xodozinha
mas não estou achando jeito
de encontrar o tal defeito
dessa história encardida
que levou minha querida
nessa enorme depressão
sem comer arroz feijão nem qualquer outra comida.
Ela é madrugadora mal o sol vem se chegando
ela já vai levantando nem faz hora no banheiro
como era costumeiro para a palavra-cruzada
que gostava da danada mas abandonou o vício
diz que tem muito serviço mas não tem serviço é nada.
Os dedos coçam de fato pra ligar o tal do micro
esse apetrecho bandido que tá levando a comadre
para onde só Deus sabee eu fico aqui a assistir
vendo a pobre se esvair no meio dessas mensagens
que vem de outras paragens que lhe faz chorar e rir.
Café da manhã nem toma gostava de ovo com bacone os fazia de tal jeito
que só de ver me danava sua cozinha procurava
um taquinho eu queria e ela sempre oferecia
eita trem bom e gostoso valia por um almoçoo cardápio de abadia.
Mas hoje a pobre coitada tá entravada nesse víciona frente do estrupício
nem se lembra de comer eu e ela só a receber
parecendo mãe-de-santo e uma coisa eu garanto
isso não lhe dá camisa não é do que ela precisa
mas falar já não adianta.
Nem namorar ela quer mais se eu convido pra sair
no baile querendo ir ela inventa uma desculpa
diz que vai é sentir culpa se abandonar seus pupilos
com seus xororós e grilos despenca a escrever poema
que uma moça lhe dá o tema
pra depois enfeitar o bicho.
Eu estou desconsolada vendo chegar o fim da linhada minha pobre vizinha
que não merecia isso que era boa de serviço boa de cama e cozinha
só eu sei da amadinha quanto angu já aprontou
com os paqueras que arrumou antes dessa anomalia.
Se alguém souber de jeito pra sanar essa quesila
me enviem a apostila que a comadre não merece
rodeada de tanta prece acabar nesse entrevero nessa vida sem tempero
morrer à míngua e de fome esquecida do que é homem
ela mora aqui no espelho

Sem comentários: