sexta-feira, 7 de março de 2008

Silêncio em corpo de mulher

Seu corpo desnuda enquanto reclama desejos,
insone e desequilibrado luta contra a natureza,
deformando, manifesta-se e derrama líquidos,
entre poucas noites censuradas para o amor, sofre,
seus sonhos vão ao longe, ainda que no silêncio.

Suas formas mudam vez ou outra,
sentimentos aparecem cada dia mais fortes,
ora puros, ora desavergonhados,
todos em pensamentos silenciosos
em dias de clausura de um corpo que sangra.

Sua boca reclama carinhos não sentidos,
os sonhos não têm a mesma luz colorida,
o riso fica dolorido em uma dor constante
que atravessa seu útero, contorcendo-o,
mesmo assim, se mostra feminina e sorri.

A natureza faz do ciclo afirmação,
deixando seu corpo pronto para o plantio,
pleno na certeza para a vida que brota dentro,
retorna ao sexo o silêncio e os desejos,
pronta para o prazer, exala cheiros e vontades.

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