quinta-feira, 6 de setembro de 2007

dizendo o que penso

Em verdade,
deixo escorrer do meu corpo,
algo que vindo da mente,
parece desconexo, torto...
Fico aqui imaginando,
o quê minha alma pede,
enquanto a cortina balançando,
sente o fluxo do ar, bailando...

A fluidez que se encorpa,
faz-me pensar,
no que a vida comporta,
quando volitamos, olhos abertos,
pelos caminhos dos temas que outrens,
não gostam de ler ou ouvir...
Coisas que parecem lhes afligir...

Coloco-me fora de órbita,
violão ao lado, calado,
livros e jornais,
pelo quarto que se faz desarrumado,
e no cabideiro,
parecem que os meus casacos,
dão-se por inteiro,
ao direito de entre eles conversar...

Paredes claras,
onde as luzes clarejam,
todas as vertentes raras,
que de repente tracejam,
minha forma de voar...
Sei lá,
escrever é algo tão sublime,
que o cime,
de qualquer montanha,
assemelha-se ao inicio de um caminhar.

Por que será,
que quando abrimos nosso verbo,
e sem nos esquivar,
falamos do atraso que em nós se assevera,
muitos não suportam escutar?
Por que será?

Talvez minha viagem,
por entre folhas, rabiscos, risos, guisos,
representem uma estiagem...
Mas eu creio piamente,
que se algum dia eu tiver que perder a coragem,
melhor seria,
abrir-me com a poesia,
e dizer a ela,
de forma singela,
que bedear pra mim não dá...

E sigo por aqui, olhos fixos,
no que me faz aprofundar...
Quando lanço-me poeta,
longe de querer ser profeta,
invade-me o afã de desarmar.
Contornar feridas,
curá-las, se milagreiro o Pai me fizer...
Eu sou o que Ele quiser.

Mas o que eu não consigo,
- e nem por isso me maldigo -
é me esconder da vida,
pois sou dela um confidente.
Um viajor consciente,
que ama, sente,
mas que jamais far-se-á calar...
Repentinamente,
pode ser que o que se faz fluente,
resida justamente no ato de jamais se escudar...

Dizer o que penso,
pra mim é algo tão intenso,
quanto o dom divino de amar...

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