domingo, 15 de abril de 2007

Guardiã

Sou o silêncio que evoca a tristeza no olhar,
a água cristalina que escorre para o mar,
faço-me guardiã dos sentidos
e ouço o triste eco de minha voz,
sou meu cadafalso e sou meu próprio algoz.
Sou bandeira que hasteia um mudo hino,
evocando almas que se atraem sem destino,
sou a sina e o sou o cimo sufocados nesse ar,
a pedra atirada e o pecado sem o pecador,
sou o remédio quando deveria ser a dor.
Sou beata sem religião e anjo sem altar,
sou portadora das mensagens que não consigo decifrar,
lavo as feridas quando a minha está exposta e sangra,
sou a doação quando deveria ser a devastação,
sou a raiva hoje e amanhã o perdão.
Sou a cabeça e a sentença,
o juiz e a desavença,
sou a doutrina fiel na crença e na descrença,
dou meu alimento sem ter feito a ceia,
já não sou mais nada...
invisível e sem cor
impalpável e inconstante, eu sou o amor.

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