quarta-feira, 11 de abril de 2007

Frio

Me enveredo por caminhos obscuros
caminhos tortuosos e inóspitos
onde o coração já não tem lugar
e a emoção se perde diante da realidade
massacrada se faz...frente a frieza que se instala
me despeço das lágrimas
desse palpitar profundo!
Nada mais se faz...
Apenas o desejo vago
calcado no gélido e concreto
esquecendo a emoção
instalando a razão sobre tudo.
Melhor assim!
Sem amarras...
Sem nada que pode machucar o coração!
Esse se faz tonto no peito
cansado de tantos tombos
de rasteiras do destino.
Agora já não me preocupo
nem sinto mais dor...
nem amor!
Nada...só nada...
Um vazio profundosem sentir...
Foi-se embora qualquer resquícioda ilusão dos amantes
instalou-se somente
e tão só a morbidez calculadade se fingir em todos os momentos.
Caminho agora sem me preocupar com as lanças que cravo
deixando nos lábios
somente um sorriso escancarado e debochado.
Não voltarei mais ao caminho dantes traçado
apenas vomitarei caladamente
a cada beijo roubado
e cuspirei sem culpa...
Em cada face que se fizer encanto em mim.
E que os abraços se tornem tão apertados
tanto quanto a mentira que se faz
pelos braços enlaçados.
E que os corpos, nus
passem por mim como um flashe se percam num brilho tão rápido
à ponto de nem ter tempo
para implorar um momento mais!
Aí calcularei cada gesto
e rirei desvairadamente
sobre cada dor...
Cada lágrima...
Por mim, arrancada!
Nada fica...nada resta...
Só o momento vago!
Um fingir de festa
uma brincadeira vazia
com um coração que se faz crente
achando que ainda o amor pode existir.
Meu coração se guarda
fecha-se as portas...
Todas que um dia sentiram a emoção
vou em frente apenas no jogo profundo
de provocar lágrimas
colecionar dores e rir...rir
muito
esquecendo de tudo
apenas sorvendo do mundo
toda ilusão por ele mostrada.

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