quinta-feira, 15 de março de 2007

TRISTE E VAZIO DESPERTAR

Sonhei que era duas,
você brincava com uma e outra
uma grande orgia e sedução.

Uma era a mulher,
a outra a amante:eu
que me entregava cheia
de volúpia a você,
enquanto a outra,a mulher
nos observava tristemente.

Desenhávamos a geografia
de nossos corpos
nos entregando sofregamente
com toda euforia.

Ela, a outra, se contorcia
vivia nossas fantasias
baixinho chorava, gemia...

Uivávamos como lobos
jorrando pelos nossos
corpos suados, o gozo
gotinhas cristalinas,
doces e suaves que de
mim e de você nasciam.

A outra, parecia imagem
do reflexo triste no espelho,
se debatia, gritava...
mas que pena!
Estava ali sozinha,
corpo nu...abandonada
sentia frio
ninguém lhe aquecia.

Eu me regozijava
sentia seu orgão
entumecido a me
devorar as entranhas,
sentia nossa emoção.

De repente ,como magia
você sumiu da minha mente
dos meus pensamentos,
ficou só a tristeza a agonia..
era apenas um sonho,
desfeito pela névoa fina que
adentrava o quarto,
senti frio,não tinha seu calor
para me aquecer,
seus lábios à procurar os meus.

Na realidade, eu é que era
a espectadora do seu filme
de amor...
Você e sua mulher ludicamente
se satisfaziam, se comoviam
e eu ali sozinha, os imaginava e sofria.

Pobres mulheres amantes
que até nos sonhos se enganam
trocam de lugares por breves
instantes...acreditam serem poderosas
ardentes amantes com seus servos
a lhes presentear amor , jóias, caricias
fazendo a felicidade no seu pobre mundo
depois sentem o cruel
abandono e choram angustiadas
sozinha, numa cama fria.

Fim do espetáculo,
a cortina se fecha,
a ribalta escura é a única
a lhe fazer companhia.

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