Sempre reclamamos muito quando somos feridos.
Física ou espiritualmente, o ferimento é algo indesejável e difícil de lidar. Mas não deveria ser assim.
Deveríamos encarar o sofrimento apenas como mais uma lição na sala de aula da vida, uma experiência a mais.
Não estamos aqui para nos pouparmos, pelo contrário, estamos aqui para desbravar as trilhas, aprendendo e aprimorando nosso espírito, ou nosso eu, para quem preferir assim... E o aprendizado, já está mais do que sabido: é pelo amor ou pela dor bla bla bla...
Se observarmos um ferimento comum que fazemos num braço, joelho, cotovelo... qualquer um que rala mais profundamente, provoca algum sangramento, mas com os cuidados que dispensamos, logo estará seco e fica aquela casquinha algum tempo antes de sarar completamente.
Quando num dia qualquer, a casca se desprende, embaixo dela, teremos a pele renovada, bonita, brilhante... nem parece a mesma que estava ali antes de nos ferirmos.
Com a alma e coração é a mesma coisa...
Quando alguém nos magoa, sejam amigos ou amores, a dor parece tão insuportável que muita gente perde completamente o rumo diante de uma traição, desrespeito ou algo que o valha.
Mas o tempo, esse bálsamo curativo para qualquer dor da alma, trabalha primorosamente a nossa ferida, até que um dia, chegamos a rir dela.
Não conseguimos entender porque sofremos tanto por tão pouco!
É a "pele nova" que está ali... se pudéssemos ver, certamente veríamos a nossa alma linda, bem disposta e pronta para continuar sua caminhada.
Falando assim, parece fácil, mas claro que não é fácil. Nada é fácil nessa vida. Mas tudo é possível.
O ser humano tem uma tendência doentia para julgar e catalogar as pessoas pelo último erro que cometeram... tudo de bom que fizeram até então, cai por terra, não tem mais peso nenhum... não acho certo isso.
Erros? Oh céus, como os cometemos! Nem por isso quem errou está perdido para sempre e para todos. Mas há quem ache que sim.
CULPADO! A pronúncia dessa sentença parece que alivia, mais do que tudo, a nossa própria consciência.
Se fôssemos mais honestos, veríamos com facilidade que toda vez que apontamos um culpado, na verdade é para tirar o dedo que se encontra apontado na nossa direção, é uma desculpa esfarrapada que arrumamos para um dos nossos fracassos.
Se formos demitidos, a culpa é daquele colega que fez fofoca a nosso respeito... "sujeito invejoso"!
O jogador que perde um gol quase feito, a culpa é do infeliz que esbarrou nele bem na hora... "Eita verme"!
Se perdermos o namorado ou a namorada, a culpa é daquela sirigaita ou daquele estúpido, que deu em cima dele ou dela, descaradamente! "Ah, traste!" Se isso fosse verdade, todos os namorados e namoradas teriam que ser mantidos trancados a sete chaves... e para que serve um namorado (a) que precise ficar trancado a sete chaves? Chutar a bunda... é o melhor que se pode fazer com ele (a).
Enfim, para tudo que não dá certo em nossa vida, temos sempre que arrumar um "boi de piranha" pra "pagar o pato" pela nossa incompetência.
Perdoem-me o uso das expressões populares, mas é que elas descrevem com exatidão o que digo.
Quando somos feridos ou nos magoam, o certo seria nos afastarmos e olharmos o cenário como mero expectador. Captar a essência dos fatos, analisar com calma e esmiuçar as responsabilidades, a culpa, se por acaso houve culpa. Mas com raríssimas exceções, ninguém tem culpa de nada. Nós escolhemos as pessoas que nos rodeiam, e se escolhemos errado, o erro é nosso, mas a culpa não é de ninguém, nem nossa.
Culpa é uma palavra muito pesada. Eu considero tão pesada quanto a expressão "nunca mais".. Nunca mais é tempo demais para qualquer tipo de promessa. E culpa também é demais para qualquer ser humano, porque ela é quase sempre, ambígua.
Mas nada do que a gente quer e acredita é fácil de por em prática. Às vezes derrapamos numas gafes e depois tentamos correr atrás do prejuízo. Nessa corrida, muitas vezes nos machucamos mais ainda, mas... faz parte. Aprendizado é isso: o resultado positivo dos nossos erros. Porque como eu já disse num poema: “não há acertos sem os erros antes”, nossos ou de outrem, que observamos.
Pois é, o certo é não desistir. Sempre que levar essas cacetadas da vida, cada vez mais comuns nesse mundo robotizado em que vivemos, onde o elemento humano pesa cada vez menos, é válido continuar tentando juntar as culpas debaixo do braço e trocá-las por compreensão, tolerância, paciência e ausência se precisar, por que não?
Os tempos mudaram. Calar, não equivale mais a consentir. Calar às vezes, é precioso. Poupa tempo, vida e pérolas.
Mas esse silêncio não deve ser contabilizado na conta do cidadão ser “bonzinho". Eu pelo menos, renego esse adjetivo até a morte!
Apenas que a vida é preciosa demais para que a gastemos com mágoas e dores, principalmente porque esses sentimentos são sempre por quem não merece nada nosso, portanto, ignorar ou mesmo ser complacente com as ofensas não equivale a ser bonzinho. É ser esperto...
Sem comentários:
Enviar um comentário