A perda do pai: quem sabe vivenciá-la?
Como aceitar mortal e falível aquela pessoa grande, capaz de conseguir o universo, logo ele, o provedor, abridor de caminhos pelos quais começamos a passar medrosos? A perda do pai é a retirada da rede protetora no momento do salto.
E há que saltar.
É o roubo feito no exato momento em que estávamos a descobrir o melhor do mundo.
A perda do pai é a entrada no lugar-comum, é começar a ser igual a todos os que a sofrem, a ter os mesmos medos, as mesmas frases.
É voltar a se emocionar com o que se desprezava:
datas, pequenas lembranças, objetos, palavras e até com as manias dele que nos irritavam.
A perda do pai é o começo do balanço da própria vida, porque, enquanto vivia, era mais fácil nele descarregar alguns fracassos e culpas.
A perda do pai é o início da significação.
As palavras começam a fazer um estranho e novo sentido.
A perda do pai começa a nos ensinar o valor do tempo:
o que não fizemos, a visita deixada para depois, o gesto adiado, a advertência desdenhada, o convite abandonado sem resposta, o interesse desinteressado...
tudo isso volta, massacrante, cobrando-nos o egoísmo.
Nosso primeiro exame de consciência verdadeiro começa quando o pai morre. Nosso encontro com a morte inaugura-se com a dele.
Nossa primeira noite sem proteção consciente dá-se quando ele já não está.
E nunca somos mais sós que na primeira noite em que já não o temos.
O pai é o mistério enquanto vida e a revelação depois de morto.
Num segundo, entendemos tudo o que, durante a vida, nele nos parecia uma gruta de mistérios.
Seus objetos ganham vida, suas comidas preferidas passam a ter mais gosto, suas frases adquirem o sentido que só o tempo e a repetição outorgam às coisas.
A perda do pai dói muito!
Isso é tudo.
Para que querer saber por quê?
O pai é o eu no outro.
É dois em um, santíssima dualidade a proclamar o mistério e a glória de existir, dívida que com ele temos, sem nunca conseguir pagar, o que o faz, por isso mesmo, sempre, muito melhor do que nós...
5 comentários:
Li me encante chorei muito,a pouco perdi meu lindo pai.
obrigada pelas lindas palavras que pude ler.
Bjs Elaine zeni
Acabei de perder meu pai dia 26/08/09 e esta mensagem mexeu muito comigo,gostei muito ,tanto que tranmiti a mesma na missa de 7 dia.para que todos possam refletir e dar valores aos pais que vivo estão.
sou sérgio petroni perdi meu pai 18 de agosto de 2010 .por vitima de um acidente de transito como faz pfalta vc aqui meu pai .....
A perda do pai dói muito!
Isso é tudo.
Para que querer saber por quê?
O pai é o eu no outro.
É dois em um, santíssima dualidade a proclamar o mistério e a glória de existir, dívida que com ele temos, sem nunca conseguir pagar, o que o faz, por isso mesmo, sempre, muito melhor do que nós... teamo meu pai .......sérgio petroni
Dia 05 de março perdi meu pai é uma dor misturada de culpar por não ter passado muito tempo ao lado dele por não ter falado muito "PAI TE AMO" hoje so eu sei a falta que meu PAI me faz
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