domingo, 2 de março de 2008

À MINHA EXCELSA SENHORA

Excelsa senhora, de meus sonhos mais perversos,
garanto-lhe que isto é só poesia, subtil e primária,
porque mesmo sendo meus versos controversos,
são rudes como estas minhas mãos, mi signatária,

minha mais que tudo que uso pra meus excessos.
Se lhe dissesse, tirando o chapéu, que secundária
é sua epiderme, mentir-lhe-ia, e maus processos,
levantaria contra si, ó senhora, tão extraordinária.

Acaso contou a amada, serem passados cinco dias,
desde a última vez que nos vimos e falamos a dois?
Ó torpe, afasta-te de mi, que a saudade, extravias!

Senhora de meus e’cantos não me leve os prantos,
e nem desfaleça a poesia nestas horas, que depois
nada restará, senão o andar a soluçar pelos cantos.

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