sábado, 5 de janeiro de 2008

POR ESSA VIDA...

Dispo-me de vaidade,
de qualquer ilusão contida!
Dobro no chão os meus joelhos,
em preces, por essa vida...

Levanto a minha fronte,
ainda que pouco me sobre,
ao céu rubro, no horizonte,
com poente cor de cobre!

Que me tenham ferido a alma,
sangrado o meu coração!
Que me tenham jogado pedras,
calúnias e difamação...

Agradeço por essa vida!
As paixões doentias e febris...
Ao amor que perdi por mim mesmo,
as lições que aprendi!

Que me tenham arrancado um pedaço
da alma que até hoje sangra...
Confundido a marca dos meus passos,
inseguros por onde, andam!

Que me tenham jogado aos leões,
no abandono dos amigos que eu tinha...
Calado a minha voz na solidão,
das noites longas e só minhas !

Que me tenham permitido o frio,
nas portas fechadas, por meu caminho.
Que me tenham deixado ao chão,
todo os meus sonhos ribeirinhos...

Agradeço por essa vida!
Às dores que me causei,
a tudo que plantei:
meus descaminhos !

Que me tenham tirado um filho!
A maior dor que um pai pode ter...
Do meu olhar o intenso brilho e
me deixassem, mais triste, o viver!

Que me tenha acenado um adeus,
de amigo que muito eu queria...
Que tenha ido morar com Deus,
nas subtrações de nossos dias!

Agradeço por essa vida noite e dia!
Ainda que me tenha abraçado o desemprego,
a bebida que me viciou,
pelas noites boêmias!

As camas de muitas donas,
estendidas à lama do chão imundo!
A terrível sensação de minhas chagas,
de um inútil moribundo...

A sordidez dos olhares,
o ironismos dos deboches!
Que me tenham anulado muitas
vezes e
na mão de muitos ,o fantoche!

Agradeço por essa vida!
Por todos momentos meus...
É nela que encontrei guarida,
resgatado às mãos de Deus!

Foi nela que tornei-me homem
e resgatei os meus valores!
Nela transpus as adversidades...
Levantei o troféu dos vencedores!

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