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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DEUS, OBRIGADO!

Deus, obrigado sempre!
Resignado, carrego as minhas dores...
Além do corpo que te apresento doente,
tens escutado os meus fervores!

São preces a ti, meu Pai!
A nossa forma de dialogar...
Nada que eu possa mais pedir,
além daquilo que me possas dar!

Um tempo a mais para agradecer-Te em vida...
Por tudo que me ofereces a cada dia!
O sol, a chuva, os rios, os mares, os animais...
O irmão que grita ao desamor e eu não via!

Um tempo a mais, meu Pai...
Para que eu possa chorar a dor dos outros,
escutar a voz dos oprimidos,
neste tempo tão curto e pouco!

Buscar qualquer religião...
Aquela que me faz mais humano, responsável,
em paz comigo mesmo!
Que purifica a minha alma tão impura,
que até então caminha vazia e a esmo...

Um tempo a mais, meu Pai...
Para exercitar a minha paciência!
E aqueles que ferem os Teus humildes,
não ter neste Teu filho qualquer conivência...

Que eu possa ser a Tua voz...
Ecoada nos porões da indignidade!
O acalanto pelas noites frias,
para aqueles que peregrinam sem abrigo pela cidade...

Ainda tenho filhos menores!
Um neto que me espera todos os dias...
Dá-me um pouco mais de tempo, meu Pai,
para que eu possa corrigir os erros que não via!

Minha mãe ainda me espera,
para os domingos de sol sonolentos...
O meu pai ainda teima, sonhando
que pode vencer os dias e o tempo!

Tenho amigos que me esperam
para uma palavra de conforto...
Alguns abraços a serem divididos,
que buscam em mim algum porto!

Pessoas que me amam...
Perdidas em algum lugar deste mundo!
Cujos encontros são pelos nossos pensamentos,
que fogem aos seus braços num segundo...

Amigos que sumiram!
E que preciso urgentemente reencontrá-los...
Lares de queridos que ruíram,
que tentarei até a morte a juntá-los!

Um tempo a mais, meu Pai...
Para quando em minha lápide estiver escrito: Aqui jaz!
E Tu me chamares à grande festa de minha chegada,
eu, mais bonito ao Teu lado, possa viver em paz.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

AGRADEÇA

Se eu partir e tempo não houver para despedir-me,
diga ao anoitecer que fui!
Mas que deixo a lua no céu,
a estrela no firmamento...
Que fui com o vento!

Diga ao mar obrigado pelo infinito azul,
pelas ondas cantantes
nas praias distantes de norte a sul.

Às aves do céu minha gratidão.
Pelas manhãs barulhentas!
Ao vento, obrigado!
Pelos recados costumeiros,
fiel mensageiro da minha saudade...

As flores dos jardins,
das campinas sem fim,
meu amor por inteiro.
Perfumaram-me os sonhos,
louros e derradeiros.

Se eu partir
e tempo não houver para despedir-me...
Agradeça a chuva que regou os meus campos,
brotou minha semente,
embalou o meu sono.

As montanhas altaneiras,
rios e cachoeiras que banharam meus filhos!
Ao sol da manhã, obrigado, obrigado,
pelo calor, pelo brilho!
Aos amigos verdadeiros, pelo afago e as palavras.

A minha mãe, obrigado.
Pelas canções com que me ninava.
Pelas lendas e histórias...
Pelos meus contos de fadas!

Agradeça por mim, meu velho pai.
Nossas brincadeiras...
E os segredos, que os guarde pela vida inteira!

Agradeça por mim, ao Senhor.
Se eu partir
e tempo não houver, e ninguém prá me ouvir...

Deixo amor!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O AMANHÃ !

Queria, Jesus do céu,
se eu morresse amanhã,
que fosse assim,devagar
como os passos da alazã.
Sem pressa pra escutar
o nhambu longe a chorar,
Na radiante manhã!

Que eu visse ao longe,as campinas,
As matas beijando colinas
e demorasse a tarde inteira!
Morrer sem pressa de ver
o pôr-do-sol no horizonte
e a flor da laranjeira...

A lua por trás dos montes
e o barulho do riacho.
Queria,Jesus do céu!
ver os olhos dessa tarde
que em minha pele arde
na profunda cor do mel...

Queria o cheiro de Maria,
passarada em sinfonia
e o beijo do sereno.
E meu rosto já cansado,
com meus lábios orvalhados,
devagar,ia morrendo...

Queria,Jesus do céu,
ver estrelas que, ao léu,
o seu pai esparramou!
O sorriso dos meus filhos,
a chuva cair no milho
quando o céu por mim chorou...


Sentir o cheiro da terra
saindo das lindas quimeras,
do ipê roxo florido.
Escutar o cantar do vento,
em seu último lamento,
murmurando em meus ouvidos.

Queria,Jesus do céu,
os grilos da noite em coral,
pirilampos iluminados...
Ver a relva me abraçando
com o chão me agasalhando
e a lua do meu lado....

Ver a semente brotando
e minha morte chegando
como os passos da alazã,
Já teria me bastado,
morreria abençoado,
quando chegasse o AMANHÃ

sexta-feira, 6 de março de 2009

EU GOSTO DE MIM !

Vem, meu amigo! Agora não é tempo de cobranças,
existem coisas de maior importância!
Não te bastam as responsabilidades assumidas desde o tempo de infância?

É hora de nos darmos as mãos...
Nossos pés clamam liberdade!
Descalços ganhariam o chão,
de estradas serpenteando à vontade...

Vem, meu amigo!
Desta vida já fizeste a faculdade e
não duvides, o doutorado !
Já serviste a Pátria com tuas mãos
desarmadas e com teu suor derramado!

Não há tempo para coisas pequenas!
Os filhos já estão criados...
Viver o que te sobra vale à pena,
já nascemos com dias contados !

Os violões carecem de tocadores,
sofrem no descaso, abandonados!
As ruas choram pelos trovadores,
que um dia foram apaixonados!

É tempo de abandonar velhos conceitos!
Jogar o teu fardo pesado no chão...
Abraçar o mundo? Não tem jeito!
Poupe as dores do coração...

Não sabes que a partir de um certo tempo
temos só subtração?
Amigos , família, filhos e um dia nós...
Quando acordamos, estamos sós,
até que Deus nos estenda as mãos...

Vem, meu amigo! Agora não é tempo de cobranças!
Existem coisas de maior importância :
dançar, caminhar, viajar, poetar, escrever ...
Amar, se ainda nunca amaste,
neste teu envelhecer!

Com a alma correres,
nas olimpíadas dos sábios!
Levantares o troféu do prazer
com um sorriso nos lábios,
enfim...

Venceres a ti mesmo!
Gritar a esmo :
-Eu gosto de mim!

sábado, 13 de dezembro de 2008

QUASE...

Quase que tu morres, esperança,
quando vi morrer na esquina um trabalhador,
num assalto que ceifou a sua vida e o
filho desesperado em sua dor!

Não bastasse, num outro canto, um refém,
sobre a mira de um revólver, desesperado!
Um grito e lá dentro morria alguém,
sem culpa de tê-lo trancafiado...

Corre um rio, abarrotado
de sofás, entulhos e cadáveres animais!
O mal cheiro é o bafo dele,
sucumbindo aos temporais...

Grita a lenha na floresta,
queimada que clareia no horizonte ...
Rios secando entre as pedras e
água morrendo lá na fonte!

Quase que morres, esperança,
quando vi as redes de arrastões,
trazendo cardumes inteiros de um mar choroso,
com toneladas de salmões...

Quase, quase...
Com aquele idoso levado ao asilo!
Até natural se fosse por um qualquer,
não pelas mãos do próprio filho!

O enfermeiro que agride o doente,
flagrado pelas câmaras escondidas!
A babá que machuca um inocente,
que mal conhece esta vida...

Quase, por pouco...
Quando vi um filho matar a mãe
e um pai matar um filho!
Jogar-se um endividado desesperado,
sobre trilhos!

A fome gemia na mesa
de uma família inteira, judiação !
Com Nossa Senhora na cama pobre,
de cabeceira?
Sem arroz, sem feijão!

Quase que tu morres, esperança!
Não fosse lembrar de Jesus de Nazaré
e olhar ali, bem ao meu lado,
a igreja chamando um homem de fé!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

PUDESSEM PINTAR

Ajoelho-me a teus pés
despojado de qualquer vaidade!
Tomba aqui mais um machão!
Sangro a alma nesta tua despedida,
tento ainda segurar-te pelas mãos.
Se pudesse descrever esta triste cena,
qualquer pintor em tela a óleo,
destacaria duas lágrimas de sangue, a cor
despencando dos meus tristes olhos.
Nesta tua despedida, pudesse alguém pintar
uma espada me ceifando a vida com tuas
próprias mãos,
no beijo dado em tua partida,
transfixando meu coração...
Mostraria aos valentes!
E quando sais por aquela porta?
Pudesse alguém pintar meu grito...
O desespero que senti, o quão pequeno
me tornei...
Pudesse alguém pintar o momento
exato em que criança eu me tornei,
o machão que, em prantos, abandonei...
Mostraria aos valentes
de corações cristalizados...
E, quando partes, pudessem pintar
cacos meus esparramados!
Nesta dor que mais ninguém sente,
ninguém foge de amar um dia...
Ninguém!
Ainda que descubra tardiamente!
Ah! Pudessem pintar esta tela sem preço...
Um rio de lágrimas, um mar...
Um machão pelo avesso!

sábado, 1 de novembro de 2008

É TUA SOMENTE!

Minha alma, muito embora cigana,
com jeito de querer o mundo,
é tua somente e há de ser sempre,
deste amor tão profundo!

Minha alma dançarina
às voltas de fogueira e a luz da lua,
de vidas e vidas pregressas, confessa:
sempre foi tua!

Ainda que não entendas meus devaneios,
as tantas idas e voltas...
É do sangue nômade do qual provim!
Selado nosso juramento,
em outros tempos,
por esse amor sem fim !

Sou teu, unicamente teu!
Em qualquer canto onde eu possa estar...
Além terra, cosmo estelar e canção!

Eternas dançarão minha alma e a tua,
tão lindamente, nuas,
numa praia de toda solidão!

Ciganas e amantes !
D'antes, desde de sempre ...
Deste volúvel presente!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

FINJO...

Ah! Minha infância, quem diria
que virias me visitar?
Agora com meus cabelos grisalhos,
nas cores das ondas espumantes do mar...

Num domingo nublado,
com arco-íris cortando todo céu...
Faz-me parar as horas do relógio,
olhando no poente as nuvens
despencarem qual véu...

Faz-me menino novamente,
a provar das carambolas suculentas no pé!
Borrar minha boca nas amoras,
banhar-me nos rios e igarapés...

Ah! Minha infância, quem diria?
Ainda com esta minha timidez...
Beijar o rosto da primeira namorada,
em meu imaginário outra vez!

Usar um short de brim!
Com pés descalços no chão?
Sair pela noite e capins,
procurando pirilampos pela escuridão...

Pensei que nunca mais voltarias,
seria o próprio contra-senso!
Vivo à meia-idade neste dia e tu pertences
a outro tempo...

Ah! Minha infância,
que bom te reencontrar!
Brinco na enxurrada com a molecada,
pelas ruas do meu lugar...

Que me olhem atravessado e
até pensem que esteja caducando...
Tem jogo de botão no tabuleiro e um
garoto me convidando!

Esqueço do calendário atual,
dos compromissos que a realidade revela!
Abraço a minha infância, é normal...
Para quem tem saudade dela!

Só me faltam as pipas,
o carrinho de rolimã...
Onde andariam os meninos de ontem?
Perdidos num qualquer divã?

Presos num escritório?
Entre quatro paredes entristecidos?
Com medo de rever a infância,
a bem dos compromissos assumidos?

Visto ainda um boné aos olhos
de adultos inconformados!
Hoje, por nada dispenso a infância,
sou nela todo, passado!

Hoje, por nada sou gente grande...
Visto o peito de sonho e esperança!
Neste futuro, finjo que não existo...
Sou nele todo, criança!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

SÃO TUAS...

Não espero nada de ti!
Nem que me ames perdidamente...
Conformo-me, neste meu existir,
vivo por te amar somente!

São tuas as flores todas que vejo,
o perfume da noite com chuva miúda!
O pensamento olhando a doçura dos beijos
de um casal dividindo o guarda-chuva!

São tuas as aves vadias,
a lua que dorme na amplidão...
A saudade que em mim permeia,
trazida na lembrança de qualquer canção!

São tuas, sempre tuas, as belezas que a vida
me traz...
A leveza do vento na calmaria,
em céu de toda alegria,
balançando um campo de trigais!

São tuas as crianças...
A enfeitarem de gritos toda rua!
São teus os velhos que ainda seguem
apaixonados, exemplos de amor além
sepultura...

São tuas as neves branquinhas,
que cobrem os telhados nas colinas...
As fendas no desgelo com regatos
a correrem com suas águas cristalinas!

São tuas as belezas que vejo,
do mar que leva os pescadores!
Dos penhascos que recebem os ninhos,
que abrigam o reino dos condores...

São tuas as mãos que acariciam
o ventre que leva o filho esperado!
As lágrimas incontidas daquela que abre
a porta e recebe o filho formado...

São teus os ritmos,
que inspiram as espumas dançantes...
O baile, suave e marítimo,
das ondas nas praias errantes!

Tudo de belo que vejo é teu!
Nada quero, por isto, em meu viver.
Amo-te apenas, embora tu tenhas te esquecido...
"Eu quem me esqueci de te esquecer!"

domingo, 7 de setembro de 2008

QUISERA!

Ah! Meus içás de chuva
no céu cheirando terra!
Envernizadas asas... Quisera
voltar àqueles tempos ingênuos
da minha infância, pudera!

As ruas largas de chão,
nas horas de mil histórias...
A lua fazendo clarão,
nas noites que iam embora.

A venda de fraca luz,
onde tocava um sanfoneiro...
Trazendo sono ao menino,
com sonhos de cavaleiro!

Buscaria louras tranças,
da menina Conceição...
Partiria por mil estrelas, num cavalo alazão...

Ah! Meus içás de chuva!
Meu cururu do brejeiro!
Sapo que insistia
espiar-me no banheiro.

Ia e voltava, debaixo da vassoura,
para o grande terreiro!
Fugia com pulos largos,
se escondia atrás do pote!
De repente, lá estava ele,
a olhar-me de camarote!

As cantigas de roda
vagavam soltas no céu.
Uma declaração de amor para Rosa,
na brincadeira do anel!

O badalar da matriz,
o vigário festeiro...
Os quitutes das tias,
os bolos de tabuleiro!

A escolinha, os professores,
a turma de formatura,
o meu primeiro amor.
Um tempo de pura ternura...

Ah! Meus içás de chuva!
De cada rosto eu me lembro,
nas tardes de muita calma.
São quadros dependurados,
todos enfileirados,
no alpendre da minha alma!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

AMA-ME AGORA!

Encosta teu rosto ao meu,
como se fora nosso último momento de alegria!
Abraça-me à meia luz deste quarto,
como se não houvesse outro dia!

Beija-me demoradamente,
como se nossos lábios nunca mais fossem juntados...
Aperta-me junto ao corpo teu,
como se amanhã estivéssemos separados!

Faze amor comigo como se derradeiro fosse
e deste gozo último, faze de conta
que nunca terminaria a noite,
beijada pelo alvorecer que desponta!

Deixa em mim o cheiro,
dos teus seios rosados quais maçãs...
Cravadas unhas em minha carne, deixa,
como se o mundo acabasse amanhã!

Quem me garante o amanhã?
Dá-me o sorriso dos teus olhos...
As meninas que estampam a lua,
quando me aninhas feliz em teu colo!

Que corra sobre mim o teu dilúvio
e deixe-me qual Cruzoé enclausurado,
nas praias de tua alma como se nunca mais,fosse por qualquer pessoa resgatado!

"Deus, como eu te amo!
Deus, como eu te amo!
Deus, como eu te amo..

domingo, 18 de maio de 2008

DEVOTO A TI...

Tu que nem te percebes bonita
entre os afazeres domésticos,
a mãe que vive pela família, filhos e netos,
na quase ingenuidade de uma criança,
devoto a ti o meu beijo!
Criada para a total submissão,
nos tempos onde a mulher nada valia.
Entristece-me saber que ainda existem
em nossos dias...
Beijo-te o coração!
Pudesse eu segurar a tua mão e caminhar
contigo
pelas estradas que ainda desconheces,
onde a lua em seu leito aparece,
prateando todo chão.
Mostrar-te-ia a brilhante estrela na escuridão,
os cometas errantes cortando o céu...
Tiraria dos teus pés o humilde sapato,
para que tocasses as areias mornas.
Que não tivesses qualquer preocupação
com o jantar que precisas arrumar,
o filho que sai para estudar,
com tua panela de pressão!
Senão estas de caminharmos somente,
de segurar as minhas mãos...
De pousar teus pés no riacho corrente,
dançar ao vento fresco da madrugada,
pisar pelas relvas orvalhadas,
cantar livre e contente...
Que não tivesses qualquer preocupação,
com a casa que precisas arrumar,
com tuas roupas a passar,
com teu quintal a varrer!
Senão estas de agora: correr e deixar
o vento beijar o teu rosto,
provar do vinho, com gosto,
de realmente viver!
Esperar o amanhecer...
Olhar o sol surgindo no poente,
sentir o frescor matinal,
as aves num bonito despertar!
Sem importar-te com o café que
precisas fazer,
o pão que precisas buscar!
Não importa tua humilde roupa
que compras sempre na promoção,
para ajudar o marido no orçamento
doméstico,
os teus cabelos de poucos cosméticos!
Tu és linda assim,
apesar do avental que ainda usas,
da simplicidade da tua blusa...
Do rosto que não retocas,
da idade que já tens,
dos cabelos brancos que mostras!
Devoto a ti o meu beijo,
o meu carinho maior...
Pudesse eu realizar este sonho,
pudesse este homem um dia mudar,
tua alma enxergar e carregar-te
pelas mãos em meu lugar!

quarta-feira, 5 de março de 2008

MAL SABES!

Ah! Meu amor...

Mal sabes tu, mal sabes!

Que deixar-te eu morreria...

Ah! Meu amor, mal sabes, mal sabes...

Que levaste minha alegria!



Voltei cambaleando...

De dor somente!

Olhando a rua que vivemos,

nosso amor efervescente...



Lá estava ainda escrito,

nos muros da cidade!

Meu amor em pichações,

de pura felicidade!



Cambaleante segui,

me segurando nas pernas!

A noite, mal vi...

Na dor que me hiberna...



Ah! Meu amor, mal sabes...

Quantos cigarros fumei!

Escutando em meus ouvidos, teu adeus...

O quanto chorei!



E teu perfume... e teu perfume!

Seguiram-me em vão caminho...

Grudado em minhas mãos,

ai amor, como espinhos!



Mas sabes amor, mal sabes...

Meus sonhos, meus sonhos!

Ah! Estes eu levo perdidos...

E os agarro gritando,

para que fiquem comigo!



Que possas voltar...

E filhos me dar!

Uma casa barulhenta...

Com floreira nas janelas!

Uma mesa de jantar...

Com muitas rosas amarelas!



Mal sabes amor, mal sabes...

Que eu queria viajar!

Para Grécia, África, Bagdá?

Escutar os tenores,

Pavarotti, Plácido, Carreras...

Pela França caminhar...



Cambaleante...

Mal sabes, mal sabes!

Que eu sonhava olhar o mar...

E, no céu, qualquer estrela...

Eu iria te buscar?



As canções de Elvis...

Mal sabes, mal sabes!

Guardadas no coração...

E que hoje, ouvindo-as,

restou-me o chão?



Mal sabes amor, mal sabes...

Meus sonhos, meus sonhos!

Ah! Estes eu levo perdidos...

E os agarro gritando... para

que fiquem comigo!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O POMBO CINZENTO !

No asfalto quente tomba machucado ...

Penas e mais nada .

Pobre pombo cinzento,

dos porões e telhados urbanos ,

piolhento !

Se fosse ao menos um condor

tê-lo-iam visto sucumbir ...

Ou um minúsculo beija-flor, conhecido

colibri !

Se não tivesse essa cor e fosse

branco da paz ,

talvez alguém o soltasse nos tempos

de violência ,

com esperança de que o amor vença a truculência ...

Sua cor não ajuda .É marginalizado !

Mendiga por migalhas nas calçadas .

A vida em comum tem muita semelhança .

Como estariam as nossas crianças ?

O preconceito racial ?

Se fosse um curió estaria em qualquer

quintal ...

No entanto, padece no asfalto quente aos

olhares de um bando de gente,

como padecem os mendigos pelas calçadas

sem família e morada ...

Pudera ! Não foi um canário do reino ou cotovia !

Nasceu cinza ...

Não fosse a cena bela ,

que meus olhos testemunharam ,

meu dia seria sem graça !

Um bando de meninos de rua levaram-no

ao chafariz lá da praça ...

Deram-lhe água no bico ,

refrescaram suas penas !

Depois jogaram-no ao céu que estava azul e

seguiu rumo ao sul ...

Perdeu-se entre os edifícios !

A piedade venceu a truculência ,

o amor venceu a violência !

Afinal , eram tão parecidos ...

os meninos de rua e o pombo ferido

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

CORAÇÃO TENOR!

Tivesse meu coração
a voz de um tenor conhecido e
se juntasse em comunhão com o céu entristecido...
Levantasse minha amada as
pálpebras dos olhos castanhos,
para o entardecer do meu peito,
feito o céu a quem proclamo!
Triste como a tarde no poente...
Rubro, fincado em haste!
Da saudade que, sem querer,
em meu coração colocaste.
Cantaria meu coração,
as dores saídas de mim...
A mais sentida, senão,
a desta tarde em quase fim.
Que me ouvisse o rincão
onde ela finca os pés...
Cantando meu coração,
na voz mais alta que houver.
Despertando as quimeras,
repousadas em seu caminho...
O voar desordenado no juntar dos passarinhos!
Meu coração tenor...
Que há de cantar seu amor,
no peito que não lhe cabe
e, quando, de sufocada dor,
eternamente cantará de saudade!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

SE PUDESSE...

Se pudesse, hoje, deixaria registrado
em teu coração algumas coisas,
quando ainda tenho tempo de dizê-las!

Diria que nunca fui tão feliz,
por mais longe que de mim estejas !
No tempo que poderá, sem palavras,
mostrar-te o homem novo que me fizeste!

Em minhas dores reciclei-me tanto,
nos prantos que de saudade eu bebi.
Foram tantos meus caminhos, tantos!
Confesso, jamais te esqueci.

Quando a vida surgia, no amanhecer,
com os raios de sol na minha janela,
eras tu quem vinha com o abraço
me acolher e apontar-me, dali, a primavera!

Quando era findo o dia,
eras tu quem me aguardava no portão.
abrigavas-me, no colo, que só eu tinha e
me afagavas o rosto com tuas mãos!

Ali, eu te escutava os conselhos,
ali me ensinavas ter paciência...
Fazias sumir meus pesadelos,
confrontar minha consciência!

Fui crescendo ao teu lado...
Namorado, amante e senhor!
O aluno aplicado em tua santa escola
do amor...

Quando a vida nos separou,
por qualquer razão banal,
muito de mim levou,
muito de ti me deixou, afinal...

Foste tu que mais amei e
tua partida, meu maior mal!
Talvez eu esteja pronto para outro alguém...

Não fosse este o nosso destino!
Será que me deste um amor maduro
e eu te dei um amor menino?

O que sei, hoje, homem:
carrego meus desatinos,
com muito mais tranqüilidade!
Apesar de, às vezes, chorar o menino
que de ti sente saudade.

Que bom! Antes nem chorar eu sabia...
Nem saudade eu sentia!
Ao teu lado homem me fiz.
Se pudesse, hoje, dir-te-ia...
Em teu coração gravaria:
nunca fui tão feliz!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

SOU VOLÚVEL!

Quem há de beber desta fonte,
que jorra de minha alma, sentirá
o amor que tenho guardado por
todo este tempo e dele
fartar-se-á!

Aquela que provar dos meus lábios
sentirá a doçura do meu coração...
Em meus límpidos lagos,
virgem de um amor verdadeiro, banhar-se-á!
Sou o homem que espera o amor
por longos sóis no entardecer,
como se tivesse nas mãos eterno buquê,
esperando o amor sonhado para oferecer!

Sou feito criança a bordar os sonhos,
imaginando-os que um dia venham florescer e
não perde deste a esperança,
mesmo que em sua cama venha adormecer.
Sou um homem incansável,
sejam quantos forem meus caminhos a percorrer,
para encontrar o amor que espero,
enquanto eu viver!

Sou volúvel sim, sou volúvel...
Enquanto definitivo não sentir que estou amando.
Daí , sou homem que espera.
Por quantas forem as primaveras,
sou fonte que vai brotando!

sábado, 5 de janeiro de 2008

POR ESSA VIDA...

Dispo-me de vaidade,
de qualquer ilusão contida!
Dobro no chão os meus joelhos,
em preces, por essa vida...

Levanto a minha fronte,
ainda que pouco me sobre,
ao céu rubro, no horizonte,
com poente cor de cobre!

Que me tenham ferido a alma,
sangrado o meu coração!
Que me tenham jogado pedras,
calúnias e difamação...

Agradeço por essa vida!
As paixões doentias e febris...
Ao amor que perdi por mim mesmo,
as lições que aprendi!

Que me tenham arrancado um pedaço
da alma que até hoje sangra...
Confundido a marca dos meus passos,
inseguros por onde, andam!

Que me tenham jogado aos leões,
no abandono dos amigos que eu tinha...
Calado a minha voz na solidão,
das noites longas e só minhas !

Que me tenham permitido o frio,
nas portas fechadas, por meu caminho.
Que me tenham deixado ao chão,
todo os meus sonhos ribeirinhos...

Agradeço por essa vida!
Às dores que me causei,
a tudo que plantei:
meus descaminhos !

Que me tenham tirado um filho!
A maior dor que um pai pode ter...
Do meu olhar o intenso brilho e
me deixassem, mais triste, o viver!

Que me tenha acenado um adeus,
de amigo que muito eu queria...
Que tenha ido morar com Deus,
nas subtrações de nossos dias!

Agradeço por essa vida noite e dia!
Ainda que me tenha abraçado o desemprego,
a bebida que me viciou,
pelas noites boêmias!

As camas de muitas donas,
estendidas à lama do chão imundo!
A terrível sensação de minhas chagas,
de um inútil moribundo...

A sordidez dos olhares,
o ironismos dos deboches!
Que me tenham anulado muitas
vezes e
na mão de muitos ,o fantoche!

Agradeço por essa vida!
Por todos momentos meus...
É nela que encontrei guarida,
resgatado às mãos de Deus!

Foi nela que tornei-me homem
e resgatei os meus valores!
Nela transpus as adversidades...
Levantei o troféu dos vencedores!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

HOJE ...

Brotam, em mim, tantas flôres...
Nas íngremes paredes da minha alma!
Tantos cheiros, ao vento fresco da suave estação,
no quintal do meu coração.

Há passaros que carregam meus sonhos...
Um a um em bando e cantantes!
Perdem-se no poente rubro,
sobre o mar dos navegantes!

Brotam estrelas, dos meus olhos e são
elas cintilantes...
Um sorriso, em meus lábios, de quem o amor chegou!
Na ilha onde, náufrago, eu esperava
o barco que aportou!

Hoje estou assim :
uma primavera inteira,
um rio de sonhos intermitentes...
Um homem que enxerga, além da sua janela,
a vida que o espera lá na frente!

Hoje, estou assim:
ave livre, pássaro voando!
Alegria sem fim, no fundo de mim ...
Um homem amando!

sábado, 15 de dezembro de 2007

MINHA VIDA!

Minha vida,
carrego-a, com minhas tantas histórias!
Dentre elas, algumas lágrimas doloridas,
Chegadas e partidas...
Derrotas e vitórias!

Por seus caminhos, espinhos e flores...
Fracassados amores, saudade e solidão!
O lugar de um trono mais alto,
a dureza cruel de um chão!

Minha vida, carrego-a leve, apesar...
Também tenho o conforto dos amigos,
O sorriso dos filhos,
Alguém sempre a me esperar!

Os olhos de minha mãe!
O afago de suas mãos...
O beijo que a tudo acalma,
Em qualquer réstia de solidão!

Até as flores que plantei em
meu quintal...
Esperam-me com perfume e beleza!
O latido feliz do meu cão,
Abanando o rabinho, com certeza!

Tenho as noites para minhas preces.
Meu diálogo freqüente com Deus!
As manhãs douradas para um recomeço,
Após tropeço em qualquer pedra que a vida
me ofereceu...

Ainda tenho meu pai,
Com todo ombro que pode me oferecer!
O neto que chega em casa tagarela,
Reforçando minha vontade de viver!

Minha vida, só hei de entregá-la
quando obrigado for!
Ainda que pese sobre mim qualquer idade,
qualquer enfermidade, qualquer dor...
Partirei com o sorriso mais feliz
de um morimbundo!

Carrega-la-ei, sem medo!
Fiz-me guerreiro por esse mundo
E quando a abracei,
Foi em paz!
Só amei, só amei, só amei...