sábado, 8 de setembro de 2007

VINDE AO MEU COVAL

Somos matéria, em forma sempre escura

num pântano tedioso feito de ilusão!

Simples antelóquio de idear que é vão,

restos que acabam, numa vala impura...



Grinaldas roxas que a vida nos preserva,

debaixo do cipreste, em ida que não vem...

por entre sonhos que foram de ninguém,

só fica silencio, morte, solidão e treva!



Não há amor! Só a mágoa de um penar

perversa sedução em ansiedade louca,

como beijar, de beijos sem ter boca...

e os olhos se os temos é para chorar!



Aves das trevas, que voais tristes como dó

vinde na noite, beber nas jarras dos covais

ouvireis a palidez no rezar dos nossos ais,

choros tremestes, em gritos só de pó...

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