sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Deserto de mim

Minha mente é ora planícies ora vales,
sou vento que não traz nuvens,
as inconstantes da paixão me enlouqueceram,
como dunas, virei cigano do meu destino.





Deixei minhas mãos noutros corpos,
tocaram alguns sonhos e até pesadelos,
o tempo as fez duras como rocha,
carinhos ficaram entre dedos espaçados.





Lavei meu corpo com areia quente,
limpei suas marcas, arranhei sua imagem,
tatuei à força outro nome no seu lugar,
como não posso parar o tempo, apaguei você.





Restaram minhas rezas, minhas contas de fé,
deixei meu suor secar ao vento,
até que seu perfume foi da minha alma,
devagar voltei a me sentir vivo, bem devagar...





Que venha mais forte o sol da tarde,
não importa se o vento parar,
aprendi a ser areia, inerte ao descaso,
sei que sou o universo, parte ao menos.





Escrevi alguns versos ante ao vento sul,
meus sentidos se foram como em um redemoinho,
as velas foram sopradas dentro de mim,
enquanto estou deserto, faço canções de amor.

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