quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estranha Loucura

Rasguei o véu da mordaça
Pisei nas chagas da dor
Abortei um amor
Plantei uma flor
Renasci no feto da vida
Extirpei todas as feridas
Hoje sou luz!
O hoje me seduz
O futuro reluz
Dane-se a maldita tristeza
Curvo-me diante da nobre
realeza da águia dourada
do novo dia
Não vou mais chorar
Eu quero é gargalhar
O mundo ironizar
Antigas primaveras exilar
Sou uma insana criatura
Visto-me com os trapos da loucura
Uso palavras impuras
despidas de ternuras,
sem as cores hipócritas da candura
Quero com os versos amargar
Meu ódio destilar
A alma poder lavar
e o coração perfumar
Deixar o mundo se questionar:
o que leva um poeta a vida
inventar?
Quer com os sonhos brincar
ou a dor ocultar?

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