segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CERTAS PALAVRAS

Certas palavras são como água,

por mais que irriguem poemas,

com o tempo transbordam

e vão dar luz a outros significados.



Outras são como teias,

assim, ramificadas

se prestam a muitos caminhos,

imagens, metáforas, rotas de escape.



Há aquelas que mais parecem poeira,

infiltradas entre dobras aparentes,

contam histórias diferentes...

Toda a vez que uso uma,

não sei bem onde vai dar.



Há também palavras de natureza pedra.

É preciso lapidá-las para que possam

quando banhadas pela luz do poema,

brilhar assim como brilham raras gemas.



Especiais são aquelas de natureza essência.

Toda a vez que toco nelas

brota um cheiro de alfazema,

colibris voam em meu quarto,

e eu me lembro de nós dois.



Palavras que não nos pertencem,

licença dada para se cometer sacrilégio,

chaves que libertam da mente o demente,

lâmina afiada a sangrar possibilidades,

colheita que o poeta só fará muito tempo depois.

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