quinta-feira, 18 de junho de 2009

CORPO DE MULHER

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,

te pareces ao mundo em tua atitude de entrega.

Meu corpo de camponês rude te escravizava

e fazia saltar o filho do fundo da terra.

Fui só como um túnel. De mim fugiam os pássaros

e em mim a noite entrava sua invasão poderosa.

Para sobreviver te forjei com uma arma,

como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha funda.

Porém chega a hora da vingança, e te amo.

Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme.

Ah! As taças do peito! Ah! Os olhos de ausência!

Ah! As rosas do púbis! Ah! Tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistirei em tua graça.

Minha sede, minha ânsia sem limite, meu caminho indeciso!

Obscuros leitos onde a sede eterna continua

e continua a fadiga e a dor infinita.

Sem comentários: