terça-feira, 5 de agosto de 2008

TENHO TANTAS HISTÓRIAS PARA CONTAR

Dentro de minhas lembranças, tanta história velha,
muros velhos sem reboco, cheios de limo,
casas antigas com samambaias sobre as telhas,
meus pulmões navegando na umidade do ar
e eu sufocada com a bronquite asmática...

Dentro de minhas lembranças, uma saudade doída
da infância de pé no chão, de escalar montanhas
quando viajava para Ouro Fino!
A Maria Fumaça apitando e nos sujando de fuligem,
os animais pastando o verde abundante
e a gente se deliciando, brigando para ficar na janelinha!

Dentro de minhas lembranças, camas de mola,
colchões de pena, travesseiros de paina
que me davam uma alergia danada
a caneta de pena, para ser molhada no tinteiro,
o mata-borrão secando quando a tinta pingava...

bem no meio do trabalho aquela manchona horrorosa,
e a gente molhava a borracha na saliva
e ia passando com cuidado para não rasgar o papel...
Certo dia ensinaram-me a limpar o trabalho
com água sanitária, bem devagar...

Meu Jesus Cristinho, nas primeiras vezes,
foi uma 'meleca' só, depois tudo foi dando certo,
como este poema em prosa onde conto minhas histórias
tentando deixar para a posteridade
a maneira de se viver nos idos de 1960...

Por que para o tempo, a idade é inexistente!
Naquela época muitos cavaleiros pela rua, a galope...
muitos moleques rodando pião,
muitos muros sendo escalados,
botinas chiadeiras, sapatos apertados...

não se comprava sapato sempre, era uma vez no ano,
olhe lá, duas! Menos desenganos!
O chapéu de um homem sobre a mesa
mostrava o respeito que se devia ao dono da casa!
Confiava-se num fio de barba de qualquer macho!

Dentro das gavetas de minhas lembranças, tanta história velha....

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