terça-feira, 26 de agosto de 2008

Hoje sou mar

Hoje amanheci um pouco mar,

com ondas baixas, não calmas,

sal entre os dentes,

boca sem nenhum sorriso.





A chuva mistura-se a tempestade,

tudo é mar, razão sem razão,

como o vento que passa e repassa

e não abraça meu corpo.





Vem a negra noite,

solidão chega e ainda sou água,

salgada dos ontens

sem esperança de amores.





Choro até beijar a areia,

caminho o litoral d’outro corpo,

multiplico ondas e calores,

é paixão, recolho o pensamento.





Mar, é meu coração sem porto,

leve como promessa,

pesado como compromisso,

amargo como despedida.





Hoje sou o mar que não sorriu,

ao longe apenas ondas almas,

espumando lágrimas na areia quente,

lembrando o corpo que não banhou.

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