segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Abandono

A luz morna do sol adormece a cidade.

Ruas estreitas e nuas circunscrevem os traçados.

Cada cubículo nos fala de idos fatos.

Desenha-se um deserto de linhas verticais;

linhas enegrecidas pelo abandono fugidio.

As pedras gastas arranham os pés;

pés dos que se atrevem à violação.

Cada pedaço delas esconde vagares

dos que arrastavam seus fardos nas costas,

e se afugentaram em espaços longínquos.

Não há gente! Fatos grudados, quais cracas,

nas protuberâncias e reentrâncias das pedras,

nos dizem de segredos que não podemos alcançar.

Sons ocos de falas inexistentes ressoam surdos.

Já o sol se nega à luz! Põe-se de mansinho...

A lua oculta se recusa ao prateado.

E a escuridão enlaça o passado!

Chora a rosa rubra e vela o abandono

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