domingo, 18 de maio de 2008

DEVOTO A TI...

Tu que nem te percebes bonita
entre os afazeres domésticos,
a mãe que vive pela família, filhos e netos,
na quase ingenuidade de uma criança,
devoto a ti o meu beijo!
Criada para a total submissão,
nos tempos onde a mulher nada valia.
Entristece-me saber que ainda existem
em nossos dias...
Beijo-te o coração!
Pudesse eu segurar a tua mão e caminhar
contigo
pelas estradas que ainda desconheces,
onde a lua em seu leito aparece,
prateando todo chão.
Mostrar-te-ia a brilhante estrela na escuridão,
os cometas errantes cortando o céu...
Tiraria dos teus pés o humilde sapato,
para que tocasses as areias mornas.
Que não tivesses qualquer preocupação
com o jantar que precisas arrumar,
o filho que sai para estudar,
com tua panela de pressão!
Senão estas de caminharmos somente,
de segurar as minhas mãos...
De pousar teus pés no riacho corrente,
dançar ao vento fresco da madrugada,
pisar pelas relvas orvalhadas,
cantar livre e contente...
Que não tivesses qualquer preocupação,
com a casa que precisas arrumar,
com tuas roupas a passar,
com teu quintal a varrer!
Senão estas de agora: correr e deixar
o vento beijar o teu rosto,
provar do vinho, com gosto,
de realmente viver!
Esperar o amanhecer...
Olhar o sol surgindo no poente,
sentir o frescor matinal,
as aves num bonito despertar!
Sem importar-te com o café que
precisas fazer,
o pão que precisas buscar!
Não importa tua humilde roupa
que compras sempre na promoção,
para ajudar o marido no orçamento
doméstico,
os teus cabelos de poucos cosméticos!
Tu és linda assim,
apesar do avental que ainda usas,
da simplicidade da tua blusa...
Do rosto que não retocas,
da idade que já tens,
dos cabelos brancos que mostras!
Devoto a ti o meu beijo,
o meu carinho maior...
Pudesse eu realizar este sonho,
pudesse este homem um dia mudar,
tua alma enxergar e carregar-te
pelas mãos em meu lugar!

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