quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Matança dos Inocentes

morre uma criança
a cada três segundos
não choram anjos,
não se ouvem trombetas
em toques de alarme

um minuto para chorar
sem humanidade
sem solidariedade
vinte deixam de respirar

mil e duzentas
numa hora
e ninguém anunciou
a boa nova
da ressurreição

o mundo continuou
a girar
indiferente
no seu movimento
de rotação

vinte e oito mil e
oitocentos
cordeiros inocentes
foram imolados
e o Deus de Abraão
não levantou a mão
para impedir o sacrifício

Herodes voltou
de petróleo encharcado
devorou searas
secou fontes
com seu hálito de fogo
fez chover balas
armas químicas
bombas , mísseis
em guerras se multiplicou
trezentas e sessenta
e cinco vezes

um átomo, um nada
no movimento da Terra
no espaço sideral
mas dez milhões e meio
de crianças arrancou
dos seios vazios
de mães sem esperança

Natal, tempo
para “ser bom”
cantar o amor, a alegria
a paz
entre os homens de boa vontade

se a cabeça enterrasse
no vil pó do barro
de que sou feita
fosse cega, surda e muda
não veria, ouviria
os milhares de gritos de pavor
que saem de todos os cantos da terra

dos cordeiros imolados
rio, mar de dor
alastrando em todos os continentes

enquanto uma criança
sofrer a dor
da fome e morrer
não me falem
em Natal

Sem comentários: