terça-feira, 1 de janeiro de 2008

GRACIAS A LA VIDA

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me dois olhos que quando os abro
perfeito distingo o preto do branco
no alto céu seu fundo estrelado
e nas multidões o homem que eu amo.

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me o ouvido que em toda sua extensão
grava noite e dia grilos e canários
martelos, turbinas, latidos, chuvaradas
e a voz tão terna do meu bem amado.

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me o som e o abecedário
com ele as palavras que penso
e declaro "mãe, amigo, irmão" e a luz,
iluminando o rumo da alma do que estou amando.

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei cidades e charcos
praias e desertos, montanhas e planos tua casa,
tua rua e teu pátio.

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me o coração que agita seu marco
quando olho o fruto do cérebro humano
quando olho o bom tão longe do mal
quando olho o fundo de teus olhos claros.

Obrigada à vida que me deu tanto.
Deu-me a risada e deu-me o pranto
assim distingo felicidade de fraqueza
os dois materiais que formam meu canto o canto
de todos que é mesmo canto o canto
de todos que é meu próprio canto.

Obrigada à vida!

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