quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Tecido carmim

Vês o vermelho que me cobre inteira?
Vês meus olhos, borrados nas tintas?
Brilhos disfarçam, ocultam a verdadeira
face que me envolve; não a que pintas.

Contas, em faíscas, no meu alvo regaço
são mentiras soltas, agarradas em mim.
Tentam ocultar o que sinto, o que faço,
envolta nestas bordas de tecido carmim.

Irregulares, riscas grossas pinceladas,
no intúito de esvaecer minha face núa.
Os olhos, porém, se recusam ao nada
que queres mergulhar a que já foi tua.

Por trás, vejo-me inteira, delineadas
minhas formas, que maculas em vão.
Não há véus, pinturas, não há nada
que me tire de mim, do meu chão...

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