Sinto saudades do dia
em que nunca nos encontramos.
Sim,
daquele
em que não nos vimos pela primeira vez.
Desse,
em que nunca te tive.
Daquele,
em que não falaste o que eu queria ouvir.
De nossa primeira noite
que jamais houve,
quando deixamos de conhecer-nos
biblicamente até o desmaio.
Tenho sede da noite
em que nem começamos a beber-nos.
Sinto fome
dos momentos
em que não estávamos um no outro,
devorando-nos gota a gota.
Poderia desenhar
nos mínimos detalhes
tudo o que não aconteceu.
O amor que não explodiu;
o desejo que não cristalizou;
todo esse nada
que não vivemos
tão intensamente separados.
É uma saudade tão grande!...
Uma saudade
como se nunca tivesse acontecido.
Como este afago
que não te mando,
e que ainda assim,
nunca o receberás.
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