sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Saudades...

Sinto saudades do dia

em que nunca nos encontramos.

Sim,

daquele

em que não nos vimos pela primeira vez.

Desse,

em que nunca te tive.



Daquele,

em que não falaste o que eu queria ouvir.



De nossa primeira noite

que jamais houve,

quando deixamos de conhecer-nos

biblicamente até o desmaio.



Tenho sede da noite

em que nem começamos a beber-nos.



Sinto fome

dos momentos

em que não estávamos um no outro,

devorando-nos gota a gota.



Poderia desenhar

nos mínimos detalhes

tudo o que não aconteceu.



O amor que não explodiu;

o desejo que não cristalizou;

todo esse nada

que não vivemos

tão intensamente separados.



É uma saudade tão grande!...

Uma saudade

como se nunca tivesse acontecido.

Como este afago

que não te mando,

e que ainda assim,

nunca o receberás.

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