quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Recolhida

Minha casa é o silêncio

Meus muros, a solidão

Não tenho porta de entrada

Só varandas da ilusão...



Os ferrolhos desta vivenda

Como aldravas das saudades

Com os olhos na entre sala

E o riso que chora e cala...



No corrimão que antevejo

Sobe a angústia, desce o beijo

Nos patamares esperando

Saudades de ti, te amando...



Minhas paredes que cantam

Em sons roucos de nostalgia

Tudo que outrora seria

Aquilo que tanto queria

Amor, paixão e alegria...



Mas compensando a realidade

Vejo nos jardins meus plantares

De cravos, rosas e margaridas

Que contemplo enternecida...



Quando a lua sobe errante

Debruço-me no balcão, delirante

Envio meus quereres suplicantes

Em orações tão distantes...



Meu lar é minha saudade

Meu tudo, minha realidade

Que a vida me distingüiu

Vivo só deste meu amor

Verdade que me seduziu...

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