O mundo dorme e eu aqui, em frente a tela fria do meu computador, penso na vida
e n'algum sentido que ela possa ter...
Ela as vezes sorri pra mim, abre seus braços e me afaga.
Noutras, dá as costas e me deixa às mínguas esperando um brilho, um causo qualquer para
legitimar minha existência.
Mas ela insiste em fugir e me deixar num
aglomerado de sonhos,
porém, num misto de tristeza, de ansiedade,
de fantasia real...
Abro o dicionário e pretendo descobrir a palavra
que me faz assim...
Estou triste, cabisbaixa, pensativa, absorta...
Estou a dedilhar versos e a compor rimas de protesto.
Vez ou outra um manifesto de alegria ou de
insatisfação pessoal, mas sei que estou viva.
Meu dicionário, livro cansado de tanto ser folheado,
fica inerte, enquanto eu, desvairadamente,
folheio suas páginas e entro por seus labirintos,
em que pretendo encontrar a luz do
verdadeiro significado.
Assim, enlouquecidamente, braviamente e
loquazmente me declino sobre mim mesma e
sinto o meu cheiro,
percebo onde quero chegar, o que desejo desvendar...
É, não posso ...não posso parar.
E aí está o que eu queria encontrar. Aí esta a palavra que traduz o meu momento:
Não é ternura, meiguice, candura
Não é clausura, abertura ou cultura
Não sei o tamanho da procura
Se engordura, se fratura ou tritura
É algo que dói feito uma fissura
Que me causa dor e desventura
Meu amor me acusa e me tortura
Me lança calúnia, injúria e me jura
Fazendo-me enxergar minha sepultura.
Fico quieta, lânguida, igual a miniatura
Me causa medo e momentos de loucura
Diante da grandeza do desprezo que se afigura
O meu valor maior extinguiu-se dando lugar a AMARGURA.
O meu amor se transformou em dor
E minha dor se transformou em céu
A minha vida se transformou em luz
E meu sabor se transformou em fel
Porque tudo aqui, hoje e agora,
é amargo...nos perdemos outra vez
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